Para Havelange, clubes são mal administrados
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segunda-feira, 04 de agosto de 1997
Filipe Pimentel Curitiba 
Marcelo AlmeidaHavelange, Onaireves e Teixeira sob a cobertura do PinheirãoO presidente da Fifa, o brasileiro João Havelange, e seu genro, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, estiveram ontem em Curitiba participando da festa em comemoração aos 60 anos da Federação Paranaense de Futebol (FPF). Eles vieram a convite do presidente da entidade, Onaireves Rolim de Moura. O presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol, o argentino Nicolas Leoz, foi convidado mas não pôde comparecer.
A festa para os presidentes da Fifa e da CBF começou às 13 horas, mas sem a presença dos convidados. Havelange e Teixeira chegaram a Curitiba no final da tarde e participaram de uma série de compromissos no Estádio do Pinheirão e no centro de Curitiba. À noite, Havelange participaria das comemorações dos 60 anos da FPF, no Clube Curitibano. O evento, black-tie, homenagearia personalidades consideradas por Onaireves os amigos do futebol paranaense.
Havelange afirmou ontem que a discrepância entre a Fifa e CBF (sem problemas financeiros) e os clubes (beirando a falência) é um problema de má administração. Os clubes são mal administrados. Os dirigentes comandam os clubes com o coração, disse. Lembrou que o Barcelona, da Espanha, tem 130 mil sócios pagantes e é com estes recursos que sobrevive. Havelange comentou que nunca dirigiu a Fifa com paixão. Quando assumi a entidade não tínhamos nenhum tostão. No ano que vem, deixo a Fifa com US$ 3 bilhões em caixa.
O presidente da Fifa descartou a possibilidade de criação da liga nacional de futebol no Brasil. Não há necessidade de se criar esta liga, pois os campeonatos são muito organizados, disse, sem comentar o fato de que vários clubes estão disputando outros torneios ou mesmo excursionando durante o campeonato nacional, nem mesmo sobre a virada de mesa que reincluiu Fluminense e Bragantino na primeira divisão.
Havelange comentou ainda sobre a possível extinção da lei do passe. Se isto acontecer, os jogadores de futebol não vão querer jogar mais. Ele comentou que sem a lei do passe, um jogador jamais seria vendido por R$ 40 milhões. Hoje o Ronaldinho (da Inter de Milão, na Itália), não seria vendido por mais de R$ 10 milhões, analisou. Ele confirmou que não é candidato à reeleição para a presidência da Fifa.


