Impossível falar em Londrina Esporte Clube e não lembrar de Gauchinho. Os 13 anos que ele passou no clube o credenciam como história viva do Tubarão, já que acompanhou boa parte dos 50 anos do clube, seja dentro ou fora do campo. E essa importância dele para o futebol da cidade é que o deixa à vontade para elogiar, cobrar e criticar os tempos atuais do Londrina. Para ele, o clube precisa voltar a pensar grande.
''É uma passagem de 13 anos... Vou para Curitiba, Cascavel, São Paulo e onde chego falam: 'você não é o Gauchinho, que jogou no Londrina'. Pô, isso me enche de orgulho'', disse emocionado.
Antero Bombassaro, o nome de batismo de Gauchinho, 68 anos, com um sentimento de desilusão cobra uma mudança de postura tanto do alto escalão do clube como dos empresários e do poder público local. Em pleno cinquentenário, o Tubarão vai ficando cada vez menor e já é comparado aos outros nanicos do interior paranaense, o que o deixa revoltado.
''Já falei tanto do Londrina... Bom, precisa de um pouco mais de homens sérios, que lidem com carinho e dedicação, sem querer tirar proveito. Que passem credibilidade para atrair patrocinadores e que possam dar retorno a esses patrocinadores'', apontou. ''Para isso, tem que sempre estar entre os melhores. Nada de entrar no campeonato para não cair ou só pra disputar''.
Gauchinho não poupou críticas nem mesmo à administração municipal. ''Não dá para viver do poder público, que dá uma porcaria de um dinheiro que não dá nem para comprar chuteira'', cobrou.
O ídolo apontou uma maneira de levantar recursos sem depender da boa vontade alheia. A receita dele vai de encontro com o carro-chefe do programa de gestão da nova diretoria: a valorização das categorias de base. ''Tem que segurar as revelações e não deixar nas mãos de empresários. Se o Londrina não tem nenhum jogador, como vai sobreviver? Tem que ter jogadores próprios e não viver de favores. Está aí o PSTC. O que mais dói e ver o Londrina olhar para o lado e não ser dono de ninguém'', questionou. ''Chegaram até a querer vender lata de cerveja. É brincadeira isso...''.
O ex-ídolo disse que já foi convidado para ocupar um cargo na direção do Tubarão, mas garante que não volta mais ao futebol. ''Agora, só na tevê. Já fui convidado várias vezes, mas não aceitei e não vou aceitar. Quero viver minha vida fora do futebol'', descartou.

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