São Paulo - "Tá gordo o Geraldo, senhoras e senhores". Essa era a maneira que o saudoso narrador Walter Abraão usava para descrever como o centroavante que defendeu o Corinthians entre os anos de 1975 e 1980 estava fora de forma. E o mais novo gordinho do futebol brasileiro é um outro goleador: Walter, do Goiás. Mas a verdade é que os 94 quilos distribuídos em apenas 1,78m não chegam a atrapalhar muito o desempenho do jogador, autor de 37 gols em 61 jogos pelo time goiano. Seis desses gols foram feitos no Brasileirão – até o jogo de ontem contra o Atlético-MG -, em sua maioria por intermédio de chutes de primeira, demonstrando um grande potencial técnico.
Walter já assumiu que o excesso de peso se deve ao abuso de doces e refrigerantes. Aos 24 anos, ele dribla a maioria dos obstáculos impostos pela obesidade, mas seu futuro no futebol tende a ser curto, segundo o fisiologista Turíbio Leite de Barros, para quem o jogador está, no mínimo, dez quilos acima do peso.
"Ele (Walter) joga carregando dois sacos de arroz de cinco quilos debaixo dos braços", afirmou. "Ele é um artilheiro, possui um potencial muito grande, mas sua longevidade será diminuída. Dificilmente ele vai conseguir se manter em bom nível após os 30 anos. A tendência é que encerre a carreira antes, pois deve aumentar ainda mais de peso com a idade e a chance de machucar tornozelo, joelho e quadril é cada vez maior", completou Turíbio.
Segundo o fisiologista, a falta de preparo físico de atletas como Walter é fruto de hábitos comportamentais. "A ansiedade também interfere bastante para a obesidade". O próprio atleta, em entrevista à TV Globo, admitiu que comia sempre um pacote de bolachas recheadas antes de dormir, acompanhado por três latas de refrigerante. A comissão técnica do Goiás proibiu as bolachas, mas liberou dois copos de refrigerante após cada vitória do Goiás.
O caso de Walter lembra o de outros jogadores que também sofreram com o excesso de peso. Coutinho e Edu, dois craques do Santos de Pelé, tiveram a carreira abreviada por causa dos 'quilinhos' a mais. "Eu nunca estive fora de forma. Quem inventou isso foram vocês da imprensa", esbravejou Edu, por telefone. Já Neto, que jogou pelos quatro grandes clubes de São Paulo e se tornou ídolo da torcida do Corinthians, hoje diverte-se ao contar histórias dos tempos de boleiro, mas antes da final do Campeonato Paulista de 1993, que o time do Parque São Jorge perdeu para o Palmeiras, o ex-meia ameaçou um repórter por ter escrito que ele estava fora de forma.
Turíbio lembra de uma história curiosa de Neto: "Quando ele jogou no São Paulo, o Bebeto, preparador físico, amarrava uma corda no corpo dos dois e ia do Morumbi até a Marginal Pinheiros. O Neto perdeu três quilos e o Bebeto, cinco, porque tinha praticamente de carregá-lo".
E qual a solução para acabar com o pecado da gula? "O diagnóstico é sempre muito fácil. Difícil é resolver", disse Turíbio. "O jogador, assim como a pessoa comum, precisa controlar a alimentação e fazer exercício físico para atingir o peso ideal. Com os jogadores profissionais, é preciso conscientização de que o corpo é o seu instrumento de trabalho". Então, só resta a Walter fechar a boca para marcar seus gols por muito tempo.

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