Para Fifa, Brasil depende de si para receber Mundial
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sexta-feira, 19 de maio de 2006
Paulo Cobos<br>Folhapress 
Zurique, Suíça - O Brasil só precisa fazer a lição de casa para receber a Copa do Mundo de 2014. E isso passa por garantir a segurança e evitar que casos como a onda de violência que assola São Paulo se repita.
Quem afirma isso é Joseph Blatter, o presidente da Fifa, que deu ontem entrevista para alguns jornais, na sede da entidade, na Suíça. Ficou decidido que, pelo rodízio, a Copa de 2014 será na América do Sul. Recebi comunicado da Conmebol (a Confederação Sul-Americana de Futebol) dizendo que todos os países da região estão de acordo que o Brasil seja a sede. Assim, em 2008, quando será decidido o assunto, o Brasil será escolhido se cumprir o caderno de encargos, que é exatamente o mesmo que foi usado para a escolha de 2010 (África do Sul), afirmou Blatter, que, pelo menos no discurso, acaba com a possibilidade de o Canadá também postular sua candidatura para 2014.
Questionado a respeito da matança de policiais e o revide do crime organizado que vigoram em São Paulo, o cartola afirmou acompanhar o caso de perto. É uma atrocidade, como outras que acontecem atualmente.
Depois, não deixou claro se isso poderia atrapalhar o Brasil, mas frisou que a segurança é um dos pontos decisivos na escolha do país-sede de um Mundial. A segurança é muito importante, mas não é assunto da Fifa. Os governos anfitriões é que são responsáveis por ela, resumiu Blatter, lembrando que a Alemanha precisou garantir a segurança na sua candidatura para a competição que começa em 9 de junho.
O cartola suíço foi evasivo se, caso seja mantida a situação atual, o Brasil poderá organizar um Mundial, que hoje tem seleções de 32 países na disputa e recebe milhares de turistas. Não sou um profeta. A Copa do Mundo na América do Sul será só em 2014.
No caderno de encargos, o item segurança tem destaque. São feitas exigências que vão desde a confecção de ingressos nominais até todo o aparato e infra-estrutura no entorno dos estádios.
Blatter teceu outros comentários sobre as chances brasileiras para 2014. Disse que recebeu uma carta da federação chilena negando que o país, um oásis de crescimento contínuo na penúria sul-americana, tenha o desejo de competir com o Brasil. E também voltou a afirmar que na sua gestão não será permitida a escolha de duas sedes, como aconteceu em 2002 com Coréia do Sul e Japão.
Questionado sobre o Maracanã, ele fugiu do assunto se o local deveria estar na lista dos estádios que serão utilizados. Isso vai estar definido na proposta dos brasileiros, afirmou o presidente da Fifa.
O governo Lula, que reduziu os investimentos em segurança, já sinalizou que vai apoiar a candidatura que será apresentada pela CBF. Pela agenda de Ricardo Teixeira, o presidente da entidade, a prioridade atual é a construção e a remodelação de estádios.


