PARA FICAR DE CARA FEIA
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segunda-feira, 04 de agosto de 2014
FELLIPE LUCENA<br>[email protected] 
A fragilidade do Bahia já foi capaz de fazer os são-paulinos mais sonhadores compararem o time irregular de Muricy à Alemanha campeã do mundo. Sem vitória desde a terceira rodada, os nordestinos chegaram ao Pacaembu com técnico interino e acumulando seis derrotas e três empates nos nove jogos anteriores. E essa foi a equipe que empatou por 1 a 1 com um Palmeiras de doer os olhos.
O gol de cabeça de Henrique aos 15 minutos do segundo tempo foi um dos únicos lances em que os mandantes mostraram mais qualidade que o rival: o cruzamento do lateral Victor Luis, de longe o melhor do time, foi primoroso. Mas o atacante ainda festejava o fim de seu jejum pessoal de seis partidas quando Kieza deixou tudo igual.
Ricardo Gareca, mais uma vez, armou o time de acordo com a disposição tática do adversário. Se Charles Fabian montou um Bahia retraído, com três volantes e nenhum armador de ofício, o argentino praticamente abdicou da marcação forte na metade do campo. Pela primeira vez desde que assumiu, optou por agredir o oponente em vez de esperá-lo na defesa.
O problema já é conhecido: falta qualidade. Renato foi sacado para a entrada de Josimar, que muitas vezes posicionou-se como um meia. Jogou bem, mas jamais poderia ser o principal criador do Palmeiras. Felipe Menezes e Mouche tinham obrigação de ajudar, mas nada fizeram e foram substituídos com justiça por Mendieta e Patrick Vieira, igualmente improdutivos.
Leandro já se esforça mais do que em outras ocasiões, mas continua errando muito: pelo alto, teve duas das raras chances do Alviverde na partida, mas suas finalizações de cabeça não foram suficientes para assustar Marcelo Lomba.
Ainda mais limitado tecnicamente, o Bahia também teve suas chances. Kieza, no primeiro tempo, e Marcos Aurélio, no segundo, surgiram sem marcação na área alviverde. Fábio defendeu uma e contou com a sorte na última.
O Palmeiras tem um técnico de primeira linha no futebol sul-americano, que segue sem vencer no Brasileirão (três derrotas e um empate). O elenco oferecido a ele pode fazer o torcedor reviver seus piores pesadelos, justamente em um ano que deveria ser de festa, o do centenário. A zona do rebaixamento está apenas três pontos abaixo. O líder Cruzeiro já disparou e tem 15 a mais. A torcida tem razão ao vaiar.



