Frankfurt - Com a autoridade de quem conviveu de perto o suficiente com Ronaldo, Luiz Felipe Scolari deu ontem a entender que o problema do atacante brasileiro é mais de carência afetiva que diretamente de forma física e técnica. Falando durante a entrevista coletiva oficial da seleção portuguesa, na véspera da partida contra o Irã, Felipão expressou sua opinião ao ser perguntado sobre as diferenças no tratamento que dispensava ao pentacampeão mundial e que dispensa a Cristiano Ronaldo, o xará menos famoso e atacante da equipe lusitana.
''Em alguns momentos, é preciso mostrar ao Ronaldo, o do Brasil, que alguém está se preocupando com ele. Em determinadas situações, há que se ter uma palavra amiga para ele ver que tem alguém ali para protegê-lo'', argumentou o treinador do penta.
A receita, segundo Scolari, foi utilizada na preparação para 2002, quando Ronaldo chegou ao Mundial tendo jogado apenas um punhado de partidas nos dois anos anteriores e sob uma imensa incerteza em relação a seu desempenho no torneio. ''É um caso diferente do Cristiano Ronaldo, que tem apenas 21 anos e ainda precisa ser orientado'', completou.
As declarações de Felipão foram uma exceção em sua postura diante de perguntas mais específicas sobre o cargo que ocupou na última Copa do Mundo. Na quarta-feira, ao falar sobre a estréia do Brasil no Mundial da Alemanha, numa entrevista à TV Record, ele havia se limitado a dizer que a vitória de 1 a 0 sobre a Croácia tinha sido uma boa estréia para a equipe agora sob o comando de Carlos Alberto Parreira.
O debate sobre o péssimo momento vivido por Ronaldo chegou até mesmo à seleção do Irã: em sua entrevista coletiva, o treinador Branko Ivankovic também teve sua opinião pedida. Mostrou-se um pouco solidário ao atacante brasileiro, mas sem o tom paternal de Felipão. ''Fala-se muito na diferença de forma do Ronaldo de 2002 para o Ronaldo de 2006. Só que as pessoas se esquecem de como é dificílimo manter um rendimento de alto nível por anos a fio. Isso é um problema para qualquer jogador. Craques são seres humanos e o futebol evoluiu, tanto é que Figo e Zidane também estão jogando no mesmo nível de outros anos'', afirmou Ivankovic.
O croata, porém, fez graça para falar do desempenho do time brasileiro contra a seleção de seu país: ''O Brasil teve muita sorte contra a Croácia, pois não criou praticamente nada no segundo tempo e ainda esteve exposto em contra-ataques''. (Agência O Globo)

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