São Paulo, 25 (AE) - A derrota surpreendente por 3 a 0 para o Cerro Porteño, ontem, mostrou que os principais jogadores do Corinthians já dão sinais de esgotamento em virtude da maratona insana de jogos que o time vem enfrentando. Essa é a análise feita pelo técnico Evaristo de Macedo para a Agência Estado. Ele se diz muito preocupado com o jogo de amanhã, contra o Olimpia, também em Assunção, que passou a ser decisivo. "Para a partida, vou escalar aqueles que estiverem mais descansados."
A situação do Corinthians no Grupo 3, que era confortável, tornou-se complicada. O time foi ultrapassado pelo Cerro, que lidera a chave com o Palmeiras, com 7 pontos. O Corinthians tem 6, e o Olimpia, que joga todas as suas chances nesta sexta-feira
5. A equipe de Evaristo precisa vencer as duas partidas que restam, ambas contra o Olimpia, para terminar em primeiro lugar e escapar do Vasco na próxima fase. Se não vencer pelo menos um dos dois jogos, pode nem se classificar.
Segundo Evaristo, o principal obstáculo é a sequência de partidas. O time volta a campo, 48 horas depois de ter enfrentado o Cerro. No domingo, pega o Palmeiras, pelo Paulista. Na terça, a Inter. Na quinta, o Treze e, no domingo, a Portuguesa. "Alguns jogadores, como Marcelinho e Edílson, já demonstram sinais de cansaço", disse. "Vamos procurar aproveitar os que não vêm atuando, como Amaral, Pingo, Mirandinha e Dinei." Evaristo só definirá o time pouco antes do jogo, após conversar com os atletas.
Desfalques e justificativas - Já é certo que o time não terá três titulares: Rincón, expulso no último jogo, Índio e Fernando Baiano, que passam a integrar a seleção sub-20.
Evaristo entende que, apesar da derrota vexatória por 3 a 0 para o Cerro, o time fez uma boa partida. "O problema é que a bola insistiu em bater na trave deles por três vezes em momentos cruciais", analisou. Para o técnico, até a crise política pela qual passa o Paraguai influiu negativamente. "Só ficamos sabendo que o jogo seria realmente realizado duas horas antes", disse. "Tudo o que aconteceu acabou provocando um ambiente ruim."
Por fim, Evaristo criticou a Confederação Sul-Americana por ter transferido o jogo de quarta do Estádio Defensores del Chaco para o campo do Cerro. "Foi uma forma de ajudar o time deles."
O treinador só gostou de saber hoje, que todos os times do grupo do Corinthians no Campeonato Paulista perderam na rodada de quarta. "Foi a única boa notícia que tive aqui", disse.
Marcelinho Carioca, um dos piores do time contra o Cerro, não apresentou desculpas. "Achamos que o jogo seria fácil e entramos apáticos", afirmou. "Contra o Olimpia, precisamos entrar mais concentrados, mais determinados e com mais inteligência."
Renegociação - Se dentro de campo o Corinthians vive problemas
fora dele ganhou um novo alento. A diretoria voltou atrás em suas pretensões na negociação do acordo de parceria com o Banco Icatu, que já dura 15 meses. O pré-contrato entre as partes havia sido assinado em outubro de 1998, mas, após a conquista do título brasileiro, o Corinthians fez novas exigências, não aceitas pelo banco. Com o recuo do Corinthians, o banco reabriu as negociações. Na quarta-feira, o Icatu fez uma nova proposta de acordo, que o clube tem 15 dias para responder. A parceria com o Icatu, que renderia cerca de R$ 400 milhões em dez anos, é vista como a salvação para os debilitados cofres corintianos. Olimpia: Tavarelli; Cáceres, Caniza, Zelaya e Franco; Bourdier, Carlos Paredes, Pérez e Avalos; Santa Cruz e Marcelo Paredes. Técnico - Luis Cubilla. Corinthians: Nei; Rodrigo, Cris, Gamarra e Silvinho; Pingo, Amaral, Vampeta e Marcelinho Carioca (Ricardinho); Edílson (Dinei) e Mirandinha. Técnico - Evaristo de Macedo. Juiz - Horácio Elizondo (ARG). Local - Estádio Defensores del Chaco, às 22h45.

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