Para Cruzeiro, MP não afetará contrato com Hicks
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domingo, 24 de outubro de 1999
Por Evaldo Magalhães 
Belo Horizonte, 25 (AE) - O presidente do Cruzeiro, José de Oliveira Costa, o Zezé Perrella, garantiu, hoje, que a Medida Provisória assinada na sexta-feira pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que impede uma mesma empresa de patrocinar mais de um clube de futebol, não prejudica o time mineiro. O Cruzeiro assinou, há menos de um mês, contrato de parceria com a norte-americana Hicks Muse Tate & Furst, que já é ligada ao Corínthians. O acordo, que vai até 2010 e pode ser renovado, prevê investimento de R$ 400 milhões no clube.
"Formalizamos essa parceria há cerca de 20 dias, bem antes da entrada em vigor da medida provisória, e já recebemos R$ 20 milhões de luvas da Hicks", disse Perrella. "Não há tribunal no mundo que desfaça este contrato", completou. Para o dirigente mineiro, também deputado federal, pelo PFL, a MP, proposta pelo Ministério do Esporte e Turismo, baseia-se em um argumento "esdrúxulo e mal intencionado". "Dizem que é o motivo principal é o temor de que haja manipulação de resultados
caso uma empresa tenha parceria com mais de um clube", afirmou.
"Isto é absurdo; o dirigente que acredita numa possibilidade dessas é, no mínimo, desonesto." Perrella citou exemplos do futebol mexicano e do europeu, nos quais um mesmo grupo patrocina até seis clubes. "No Brasil, onde arrumaríamos 650 empresas para patrocinar os 650 clubes existentes ?", perguntou. De acordo com o presidente, a MP atenderia, na verdade, a outros interesses. "Isso é lobby de clubes que já têm patrocínios e não querem que outros se fortaleçam", ressaltou, sem citar nomes.
O dirigente assegurou que, no contrato entre o Cruzeiro e a Hicks, o que ele fez foi "apenas negociar, com quem melhor atendesse aos interesses do clube, direitos de arrecadação e de transmissão pela televisão por 10 anos". "A Lei Pelé transforma os clubes em empresas, mas agora o governo quer ditar normas, metendo-se numa área que não é a dele; é o cúmulo", queixou-se. Na parceria com o grupo norte-americano, entre outros ítens, o Cruzeiro cedeu direitos de imagem e porcentuais dos passes de jogadores, contratados a partir de janeiro próximo. Em troca, a Hicks assumiu a folha de pagamento do clube e deve construir um estádio de 40 mil lugares
até 2010, em Belo Horizonte.


