Entre os entraves para o crescimento do automobilismo no Brasil, a falta de valorização do esporte pelo poder público é outro fator apontado pelos organizadores entrevistados pela reportagem da FOLHA.
Na opinião do presidente da Comissão de Velocidade da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), Waldner Bernardo, o esporte evoluiu muito tecnicamente nos últimos anos, mas ainda deixa a desejar no que diz respeito à estrutura. "Não tem uma evolução dos autódromos. A maioria deles são públicos e, com algumas exceções, não se vê a intenção do poder público de promover reformas", avalia.
Bernardo destaca que embora não exista essa valorização, o automobilismo gera um retorno muito grande para os municípios que sediam provas. Ele também é presidente da Federação de Pernambuco e cita o impacto da Fórmula Truck na capital Recife. "Somente com a Truck, que é o segundo maior evento de Recife, mais de 2.500 empregos são gerados em um fim de semana", destaca.
A falta de incentivos para quem investe no automobilismo é outra falha apontada por Leandro Totti, organizador da Spyder Race Londrina. "Diferente de esportes como o vôlei ou futebol, o automobilismo não tem benefícios de isenção de impostos que acabam atraindo patrocinadores", afirma. "O problema é que o automobilismo não é considerado nem um esporte olímpico nem amador, que poderiam gerar esses benefícios. Acaba sendo considerado um esporte de poucos, para elite", ressalta Bernardo, que acredita ser necessária maior vontade política para reverter essa situação. (J.F.)

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