Para Carpegiani, o Brasileiro teria de ser paralisado
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de outubro de 1999
Por Anderson Couto 
São Paulo, 20 (AE) - Depois de um fim de semana prolongado em Porto Alegre, longe dos problemas jurídicos do São Paulo, o técnico Paulo César Carpegiani voltou hoje a comandar a equipe e chegou a sugerir a paralisação no Campeonato Brasileiro para que o caso de Sandro Hiroshi seja resolvido. "Toda essa polêmica só faz o torcedor deixar de acreditar na seriedade do futebol", disse o treinador.
Carpegiani, contudo, não quis comentar as estratégias que os dirigentes vão adotar para defender o clube no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). "Nosso Departamento Jurídico já está cuidando disso, com todos os documentos necessários para reverter a situação", afirmou.
Apesar da intenção de manter-se distante da polêmica, o treinador não escondeu a irritação com a decisão da Comissão Disciplinar da entidade, que favoreceu o Botafogo-RJ. "Futebol se ganha no campo e ninguém pode tirar nossos pontos, pois nossa vitória foi legítima, por 6 a 1", afirmou Carpegiani. "O campeonato ficará manchado se continuar desta forma, baseado em decisões judiciais."
Carpegiani isentou Hiroshi de qualquer culpa no caso, inclusive de envolvimento num escândalo de falsificação ideológica. Para o treinador, o caso dos "gatos" no futebol é uma prática comum, que faz parte da rotina de diversos clubes. "Na maioria das vezes, são os treinadores que obrigam os atletas jovens a adulterar seus ducumentos."
No CT do São Paulo, na Barra Funda, o jogador parece tranquilo. Hoje à tarde, treinou normalmente com os companheiros
mas continuou proibido de falar com a imprensa, norma imposta pela diretoria. De acordo com alguns jogadores que conversaram com ele, como Márcio Santos e Edu, Hiroshi apenas está um pouco assustado com a repercussão de seu nome nos jornais.
Para o advogado e diretor de Futebol do clube, José Carlos Ferreira Alves, a questão da adulteração da data de nascimento do jogador só será resolvida após o julgamento do caso Botafogo-RJ, possivelmente na próxima semana. "Se comprovada a falsificação, é preciso saber quem a fez", lembrou. "Caso o culpado seja ligado ao esporte, ele poderá ser punido pelo artigo 281 do CBDF (Código Brasileiro Disciplinar do Futebol)."
Como em 1994, ano da mudança, Hiroshi era menor de idade, o jogador poderá até escapar de uma punição na Justiça comum. O presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Eduardo José Farah, destaca que o caso não tem nada a ver com a legislação esportiva. "É apenas uma questão criminal, de polícia e o São Paulo nada tem a ver com isso."
O São Paulo e o jogador, que na segunda-feira foi suspenso por três jogos do Brasileiro, receberam o apoio de Marco Polo Del Nero, presidente do Sindicato das Associações de Futebol Profissional do Estado de São Paulo (Sindbol), que, em comunicado ao presidente do TJD, Sérgio Sweiter, condenou a decisão da Comissão Disciplinar.


