Para atleta realiza desafio em busca do sonho
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terça-feira, 21 de março de 2006
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Já pensou percorrer os 390 quilômetros que separam Londrina de Curitiba correndo a pé? Pois é, tarefa difícil. Agora, imagine fazer esse mesmo caminho numa cadeira de rodas. Esse é o desafio do paraatleta paranaense Ezequiel Eli Pinheiro Rosa, 35 anos, que espera, com sua história de força de vontade e superação, mobilizar empresários e conseguir patrocínio para seguir em busca do sonho de participar da Paraolimpíada de Pequim, na China, em 2008.
Ezequiel sofreu uma paralisia na perna esquerda aos 2 anos de idade. A deficiência, no entanto, não chegou a abalar a determinação do jovem que viria a se tornar um paraatleta aos 14 anos. ''Vi uma matéria na tevê e fiquei com vontade de começar a correr'', recordou.
Aos 19, Ezequiel teve meningite, que causou a imobilização de seu braço direito. Porém, nem mesmo a segunda paralisia desanimou o paraatleta. Pelo contrário, fortaleceu ainda mais sua vontade de se superar e manter o corpo debilitado sempre em forma. ''O deficiente que não pratica esporte é sujeito a atrofiar ainda mais os membros. Se ele não pratica nada, começa a se sentir mais fraco. Eu me sinto mais fortalecido praticando exercícios'', afirmou o cadeirante.
Depois de começar a praticar os exercícios, Ezequiel queria se profissionalizar. Para isso, era necessário obter uma cadeira especial, desenvolvida especialmente para corridas. ''A 'Top End', uma cadeira especial importada, custa R$ 8 mil. Há uns dois anos, corri de Ponta Grossa a Curitiba e apareci nos jornais pedindo a cadeira. Muita gente me ligou, mas só uma empresa (Global Loterias, de Curitiba) é que quis saber certinho e me deu a cadeira'', explicou.
A partir daí, nada mais segurou o então aspirante a cadeirante em grandes provas. Conquistou o primeiro lugar da última Maratona de Curitiba, ficou em segundo em Florianópolis e Porto Alegre, terminou em terceiro no Rio e encerrou a Maratona de São Paulo na quarta posição. As boas atuações renderam até mesmo o atual recorde brasileiro de sua categoria nos 200 metros, com 36 segundos.
Desafio O bom desempenho em suas últimas competições levou então ao grande sonho: participar de uma Paraolimpíada. Para isso, Ezequiel precisa assegurar bons índices em mundiais, que começam a ser disputados ainda neste primeiro semestre. E, para conseguir uma vaga, o paraatleta precisa intensificar os treinos, o que também significa problemas: Ezequiel divide o tempo da corrida com os trabalhos em um colégio de Curitiba e, além disso, não tem condições de arcar com os custos de manutenção de sua ''Top End''.
''Gasto R$ 450 por mês só com os pneus. Também tem as luvas, a centralização da cadeira, a lubrificação... A manutenção ideal por mês custa R$ 1 mil. Além disso, queria colocar uns pneus especiais para melhorar meu desempenho'', listou o paraatleta, que decidiu então propor o desafio de percorrer os 390 quilômetros de Londrina a Curitiba para conseguir a verba que precisa para treinar até a Paraolimpíada.
Ezequiel começará o desafio no dia 18 de maio, no centro de Londrina, às 8 horas. Depois segue 95 quilômetros até Mauá da Serra. No dia 19, corre 80 quilômetros até Imbaú. Depois percorre mais 103 quilômetros até Ponta Grossa, quando então finaliza os 102 quilômetros até Curitiba.


