Para-atleta de Cambé volta com ouro do Mundial
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segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Thiago Mossini<BR> Reportagem Local 
O olho ainda está meio inchado. Foram poucas horas de sono. Afinal, chegou de viagem no meio da madrugada, após 19 dias longe de casa. Na bagagem, muitas histórias para contar e um objeto dourado, cobiçado por todo atleta. De medalha no peito e bandeira do Brasil a tiracolo, o cambeense Jefferson da Silva Amaro desembarcou ontem em Londrina após faturar a medalha de ouro no Mundial Paraolímpico de Natação, disputado em Eindhoven, na Holanda. Ele competiu em cinco modalidades e subiu no lugar mais alto do pódio no revezamento 4 x 50 metros medley.
A competição foi a primeira fora do Brasil que o atleta da Adefil disputa na curta carreira. Na prova que rendeu o ouro ao único paranaense na delegação brasileira, ele nadou borboleta e conseguiu sua melhor marca individual, com 35s09.
A prova, além da medalha, valeu por outro motivo. Antes de entrar na piscina, Daniel Dias, que abriu com o nado de costas, Ivanildo Vasconcelos, o segundo a entrar na água no peito, e Jefferson fizeram uma espécie de pacto para obter a medalha como forma de homenagem ao quarto integrante do revezamento, Clodoaldo Silva. Ícone do esporte paraolímpico nacional, Clodoaldo cometeu um grande gafe ao nadar no estilo costas em uma prova que era borboleta. ''Nunca imaginei que pudesse dedicar uma medalha a ele'', afirmou Jefferson, que não desgrudou da família ontem.
A prova emocionou ao nadador, que teve a oportunidade de formar uma equipe e ganhar uma medalha de ouro ao lado de seus ídolos. Jefferson, de 21 anos, perdeu perna e braço esquerdos aos 14 anos, após ser atropelado por um trem enquanto brincava junto à linha férrea em Cambé. Fez hidroterapia por anos e, em 2008, conseguiu colocar uma prótese na perna. A partir daí, começou a nadar competitivamente e a ascensão veio rápido. Um ano depois, faturava quatro medalhas no Mundial de Piscina Curta , no Rio de Janeiro. ''Eu via os caras (André Brasil, Daniel Dias e Clodoaldo Silva) nadando e conquistando medalhas e pensei que poderia chegar lá. E cheguei'', relembrou. ''Até hoje me espelho neles e é uma honra representar o Brasil ao lado deles''.
Os resultados não apareceram à toa. São fruto de muita dedicação. Jefferson mora em Cambé, mas treina e estuda em Londrina. São seis ônibus diariamente para ir da casa para os treinos na AFML e às aulas do curso de nutrição da faculdade. De segunda à sexta-feira, ele cai na piscina para nadar em média duas horas por dia. Os treinos são complementados com academia três vezes na semana.
Jefferson não terá muito tempo para treinar. Na quinta-feira, ele embarca para São Paulo para a disputa do Brasileiro. A meta agora é melhorar os resultados e, com isso, atrair patrocinadores, já que se quiser pensar em medalha em Londres-2012, é preciso melhorar a estrutura de treinamentos e aumentar o intercâmbio fora do país. ''Espero que essa medalha abra portas'', disse o paraatleta, que está sem treinador. Jefferson tem o apoio da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), AFML, Vita Point e Fundação de Esportes de Londrina (FEL).


