São Paulo, 10 (AE) - Um mundo "cor-de-rosa", em que a gestão do vôlei beira o ideal. É assim que o presidente da Confederação Brasileira de Vôlei, Ary Graça, vê o esporte que administra: com muito otimismo e como um modelo para o mundo. Para ele, comparações com a organização do vôlei italiano são ridículas: "O nosso é muito melhor." E diz até que fica irritado com o "complexo cucaracha" do brasileiro. "Temos mania de desvalorizar o que é nosso", analisa.
"As Superligas estão cada vez mais vitoriosas, investindo em seus produtos", resume. "A Superliga Feminina é a maior do mundo", continua. "Sempre se compara tudo com a Itália, que tem um feminino ridículo e onde não há vôlei de praia."
O dirigente discorda que a CBV seja centralizadora na administração da Superliga. Não confirma, mas também não desmente, que tenha pedido o afastamento de Paulo Guerra do Comitê de Marketing e TV. Afirma que Guerra era representante do Report/Suzano e da UnG/Guarulhos, clubes que decidiram substituí-lo, "em face das agressões feitas". Fica irritado quando questionado sobre a defesa de Guerra de criação de uma Superliga, com personalidade jurídica e desvinculada da CBV. "A independente AVP, a Associação do vôlei de praia dos Estados Unidos, quebrou, devendo uma fortuna para os jogadores."
Ele afirma que tudo é decidido pelos Comitês Estratégico e de Marketing e TV, formados, respectivamente, por representantes dos clubes e dos patrocinadores, e o de Técnicos e Supervisores, integrado pelos componentes das comissões técnicas das equipes. "O papel da CBV é de árbitro e executivo."
Ary Graça não considera que a crise tenha chegado aos clubes nem teme uma fuga em massa de patrocinadores, em maio, quando terminam os contratos. Também não acha que as despesas com viagens, hospedagem e taxas para a disputa da Superliga sejam altas.
O dirigente encara o problema dos salários atrasados de alguns times como algo "momentâneo e setorial". Acha que a possível saída de patrocinadores, como a Nestlé, não deve preocupar. "Todo ano é a mesma coisa; sai um, entra outro", observa. "As empresas cumprem ciclos de marketing, só isso." E discorda que os altos custos (R$ 2 milhões) para manter um time competitivo possam afugentar patrocinadores. "Eles ganham cinco vezes o dinheiro que investem, com a venda de produtos."
Para ele, o investimento dos patrocinadores é muito maior com os salários dos jogadores e comissão técnica do que com as despesas para competir. "Um total de 90% é de custo com comissão técnica e jogador." Ary Graça garante que "vai anunciar um negócio da China" para o vôlei masculino e a Superliga deverá ter mesmo mudanças para a próxima temporada, mas visando à televisão.

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