Para árbitros, culpa da violência é da Lei Pelé
Agência Estado
Do Rio de Janeiro
A Associação Nacional de Árbitros de Futebol (Anaf) divulgou carta, ontem, na qual critica a atual lei que rege o desporto no País, numa clara referência à Lei Pelé, que segundo o documento, premia os indisciplinados, com punições leves e efeitos suspensivos. A alteração no regulamento do Campeonato Brasileiro, que aumentou o limite para suspensão de três para cinco cartões amarelos, também é apontada pela entidade como uma das causas para o aumento da violência na competição. Os jogadores passaram a não temer punições e estão jogando mais duro, argumentou o presidente da associação, Jorge Travassos.
Para ele, os juízes ainda não se adaptaram as novas regras e, por isso, houve um crescimento da violência no início do Brasileiro. Poderíamos estar sendo mais rigorosos, inclusive, dando mais cartões vermelhos, observou Travassos, que ressaltou ter havido um melhora nas últimas rodadas.
Apesar disso, ele disse que os árbitros não são os únicos culpados pelo excesso de faltas que tem marcado as partidas pelo Brasileiro. Jogadores, técnicos, clubes e federações também são responsáveis, afirmou. Segundo Travassos, os juízes estão aplicando a regra, com algumas exceções.
Na carta, assinada por 45 árbitros, a Anaf anunciou a sua solidariedade ao presidente da Comissão de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol, Armando Marques. O documento explica que o presidente está contrariando interesses escusos e vem sofrendo pressões diversas, visando a sua saída. Para Travassos, o fato de Marques não aceitar receber dirigentes de clubes, tem provocado os pedidos pelo seu afastamento.
Sobre a confusão envolvendo o árbitro Paulo César de Oliveira, que expulsou três jogadores do Vasco da Gama, na partida contra o Paraná Clube, domingo, o presidente da associação preferiu não emitir opinião, porque o caso ainda não foi julgado pelo Tribunal de Justiça Desportiva. Garantiu, no entanto, que o juiz, um dos signatários da carta, está tendo todo o apoio jurídico por parte da Anaf.
Travassos disse ainda que a polêmica em torno do episódio serviu para dar mais atenção ao problema da arbitragem. De acordo com ele, a única solução para melhorar o nível dos juízes é a profissionalização da classe. Reivindicamos isso há muito tempo, emendou.





