Leio no Tostão que o Alex tem jogado o fino. Tem sido a grande estrela do Cruzeiro. A televisão só me concede jogos de times do Rio e de São Paulo. Raramente, vejo times de outros Estados. Azar o meu, que fico por fora de tanta coisa boa que acontece noutros horizontes do futebol.
O Alex é um bom exemplo a citar, nesses dias em que a crônica anda empenhada num saudável debate pra saber quem é que merece ser chamado de craque, na geração que desponta, aí, a empolgar todo mundo: Kaká, Diego, Robinho, Carlos Alberto (Flu), que dizer dessa garotada? A maioria dos colegas acha que todos eles pintam muito bem, mas que ainda não fazem jus à semelhante qualificação.
O Alex entra na dança porque sempre o considerei um craque, apesar de seus bocejos e sua pasmante intermitência. Eu diria que Alex pertence à categoria dos craques bissextos.
A polêmica vale a pena. A palavra craque tem vários pesos e medidas. Por isso, esse nosso embate talvez nunca terá fim. Eu, por mim, já disse e sustento, do alto da minha prosopopéia, que o Carlos Alberto é craque. Se deixará de ser, um dia, só Deus sabe. O Tostão acha que o guri é bom de bola, mas que é melhor esperar mais tempo. Abro um parêntese pra lembrar que, na década de 60, quando vi o inesquecível time do Cruzeiro, já saí logo badalando, aqui, na coluna, que entrava em cena um novo craque chamado Tostão. Era ele, então, um garoto. Fecha parênteses.
O Zé Trajano, o Paulinho Vasconcellos, os dois estão com o Tostão. Preferem aguardar. O tema aguarda outras vozes ilustres como o Calazans, o Renato Maurício, o Cláudio Mello e Souza, o Zé Geraldo do Couto, o Alberto Helena, o Márcio Guedes, pesos-pesados da crônica que ainda não deram o ar de sua graça, mas que bem merecem ser ouvidos sobre a questão. E Juca Kfouri, que também está calado. Logo o Juca, que é, entre todos nós, quem mais ama uma polêmica. Fala, Juquinha.
Pra refrescar a memória dos amigos, quero deixar bem clara a minha posição: pra mim, o craque nasce craque. Vejamos o caso do Diego: o Diego mau saiu dos cueiros, mas já faz e faz bem as artes que um craque é capaz de fazer: dribla, passa, chuta, vislumbra o melhor lance, com o olhar privilegiado de quem vê tudo antes de todos. Só lhe falta uma coisa: passado, tempo de serviço. E é, talvez, nesse aspecto, que o papo esbarre: os que divergem de mim acham que esses garotos ainda não passaram por uma prova importante que é a constância.
Entendem eles que só o tempo poderá provar se o fenômeno é episódico ou sistemático. Atenho-me, porém, a uma virtude que me parece o ponto de partida da questão: o talento. Pra mim, se tem talento, é craque. Se vai confirmar sendo, aí, a questão já é outra.
Jogar bem, amigos, muita gente é capaz de jogar. Um jogador mediano pode melhorar seu padrão. É só treinar, treinar muito. Cuidar do físico e da mente. Aplicar-se, com o máximo de empenho. Assim, ele se capacitará. O craque, esse já traz do berço a coisa bem sabida. É dom, é dádiva. Numa síntese, o esforçado pode vir a jogar bem, a ser bom por capacidade; o craque, esse já o é, por faculdade. A capacidade é um bem dos homens; a faculdade, uma benção dos deuses.
Concluo dizendo que minha solidão se é que estou mesmo sozinho talvez não seja tão grande quanto a do sisudo Cláudio Carsughi, da ESPN e da Jovem Pan. Em posição contrária à que defendo, ele me escreve elegante e-mail sustentando a tese, ultra-radical, de que só três jogadores merecem dele o qualificativo de craque: Pelé, Di Stéfano e Maradona.
Enfim, o que me anima nesse assunto é que estamos falando de futebol, que é a única e verdadeira paixão de todos nós. Não suporto mais ficar tomando o tempo do leitor com a baixaria da cartolagem.
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