PAPO ALE ABATE
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de abril de 2015
ALESSANDRO ABATE<br>[email protected] 
Carlos Alberto Torres, o capita, como é chamado por ter levantado a taça do tricampeonato da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1970, ficou na bronca com o técnico Luxemburgo pelo protesto contra a Ferj, no qual o treinador disse que a punição por ter criticado a federação não vai silenciá-lo e chamou a atenção ao fato colando um esparadrapo na boca diante dos jornalistas. O argumento de Carlos Alberto se baseia no fato de que, segundo ele, Luxa deveria ter falado sobre o regulamento do Campeonato Carioca antes da competição, e não com ela em curso, como fez - a bronca do técnico que culminou em uma suspensão de dois jogos foi sobre a regra de limitar a utilização de jogadores das categorias de base.
A mordaça de esparadrapo ganhou repercussão internacional e destaque nos jornais pelo mundo.
"Isso para mim é palhaçada", disse, durante participação no programa .Seleção SporTV.. Pois bem, excêntrica ou não, a atitude de Luxemburgo não está relacionada à discussão da regra em si, não importando se foi levantada antes, durante ou depois do campeonato, mas é um repúdio à censura que tem acontecido frequentemente por parte da cartolagem que comanda o futebol brasileiro. Os dirigentes fazem suas próprias leis e se colocam acima dos direitos fundamentais na nossa sociedade, como o direito à liberdade de expressão, garantido na nossa Constituição Federal, acima de tudo.
Palhaçada é como podemos classificar os regulamentos feitos pelas federações, palhaçada é como podemos resumir os dirigentes de clubes aceitarem tudo com medo de represálias, palhaçada é como podemos entender julgamentos esdrúxulos realizados pelos tribunais esportivos com sustentações e jurisprudências que atendem mais a interesses individuais. Palhaçada é uma coisa nesse país chamada impunidade.
O que não podemos nesse momento de mudanças profundas no nosso futebol, com uma guerra sendo travada no Congresso Nacional com a Medida Provisória (MP) 671/2015, que institui o Programa de Modernização da Gestão e Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut), é nos sentir amordaçados. As críticas, quando feitas de forma correta, precisam ser levadas em consideração, e não empurradas para baixo do tapete, como sempre tivemos o costume de fazer no Brasil.


