Quanto mais clamamos pela profissionalização do futebol brasileiro, quando mais discutimos formas alternativas de arrecadação para o fortalecimento dos clubes, mais aqueles dirigentes inescrupulosos ignoram a ética e o bem do esporte para agirem em causa própria. É isso que explica o fato da Federação Paulista de Futebol ter aceitado os patrocínios da Crefisa e Faculdade das Américas para a camisa dos árbitros na fase final do Paulistão. E o mais prejudicado foi o Palmeiras, que também é patrocinado pelas duas empresas na temporada.
Foi um dos acordos de publicidade mais inoportunos da história. Crefisa, FAM e FPF não precisavam disso. O dinheiro só serviu para uma propaganda ruim depois que torcedores passaram a cogitar um suposto esquema de favorecimento para o Verdão, por mais absurdo que pareça. O problema é que, pressionados pela opinião pública e discussões na mídia, os árbitros entram com um peso a mais para apitar as partidas do Palmeiras. Coincidência ou não, Marcelo Rogério teve uma atuação desastrosa ontem no Allianz Parque, deixando de dar dois pênaltis para o Alviverde e errando em um lance crucial de impedimento do ataque do Botafogo, que por pouco não abriu o placar na derrota por 1 a 0.
Garanto que o árbitro Marcelo Rogério não ficou mais rico por usar a camiseta com as marcas estampadas, ganhou muito menos dinheiro que a FPF, responsável pelo negócio, mas teve a tarefa de apitar dificultada.
Se eu estivesse em sua pele, marcaria contra o Verdão na dúvida. Em um país onde a corrupção impera, agir contra o bom senso em tempos de internet fomenta o ódio e indignação. Mas alguns ainda agem como se estivessem acima da lei.
A Fifa revelou que vai investigar a situação, já que, segundo seu estatuto, esse tipo de patrocínio é proibido. Enquanto isso a polêmica tende a ganhar ainda mais corpo para as semifinais do Campeonato Paulista.

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