Papelão da Ferrari na Alemanha
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domingo, 25 de julho de 2010
Tatiana Cunha Enviada especial<br>Folhapress 
Hockenheim, Alemanha - ''Bom trabalho. Felipe Massa está de volta, de volta ao jogo. Você foi magnânimo. Você não deve saber o que isso significa, mas depois eu explico.'' Foi assim que o engenheiro Rob Smedley tentou animar o piloto brasileiro ao cruzar a linha de chegada no segundo lugar hoje, no GP da Alemanha, após ter recebido ordens indiretas da Ferrari para ceder, 18 voltas antes, a primeira colocação para seu colega, Fernando Alonso.
A Ferrari saiu de Hockenheim com a segunda dobradinha no ano, mas com US$ 100 mil a menos. Foi punida pela FIA pela inversão de posições - o regulamento proíbe as ordens de equipe.
Segundo a entidade, a Ferrari violou o artigo 39.1 do Regulamento Esportivo, sobre ordens de time, e o artigo 151c do Código Esportivo Internacional, que visa evitar ''conduta fraudulenta ou ato prejudicial aos interesses de qualquer competição ou do esporte a motor''. O caso ainda será levado ao Conselho Mundial da FIA, o que pode acarretar em mais punição.
A polêmica começou porque Massa, terceiro no grid, assumiu a ponta na largada, passando Sebastian Vettel, pole, e Alonso, segundo, que também passou o alemão. Insatisfeito por não conseguir superar o colega, o espanhol reclamou via rádio: ''Esta situação é ridícula''.
Na 48 volta, veio a deixa para que Massa abrisse caminho. ''Então... Fernando é mais veloz que você'', disse Smedley, via rádio. ''Você pode confirmar que entendeu a mensagem?'', seguiu.
O brasileiro, que fazia voltas na casa de 1min17s, subiu seu tempo para 1min19s e Alonso o ultrapassou. ''Agora só fique na cola dele (Alonso). Desculpe'', disse Smedley ao ver a manobra. Até o final da prova, os tempos dos dois voltaram a se alternar e as posições continuaram as mesmas.
No pódio, a festa chocha dos ferraristas não condizia com a dobradinha que acabara de encerrar um jejum de dez corridas sem vencer. ''Explicamos ao Felipe qual era a situação. Às vezes uma disputa pode não ser o melhor para uma equipe'', justificou Stefano Domenicali, chefe da Ferrari. ''Aquela era a informação que queríamos passar e deixamos para nossos pilotos decidirem.''
Para ele, a equipe ter ''sugerido'' que o brasileiro cedesse seu lugar a Alonso não significa que haja primeiro e segundo piloto no time. ''Sabemos que seria importante a vitória para ele (ontem completou um ano do grave acidente de Massa na Hungria), mas sei que, na próxima chance que tivermos, Felipe vai ser mais veloz'', declarou Domenicali.


