Papa-títulos do atletismo
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sábado, 18 de setembro de 2010
Renato Oliveira<br>Reportagem Local 
O destino de Ronaldo do Carmo Rocha tinha tudo para ser diferente. Nascido na Zona Rural do oeste paranaense, em Guaraniaçu, ele conheceu o atletismo aos 12 anos de idade. Nesta época morava no município de Campo Bonito, onde trabalhava na roça com pai, mãe e outros cinco irmãos. Quatro anos depois, mudou-se para Cascavel onde passou a treinar no projeto do professor Vanderlei Wyzykowiski. Na ocasião, foi descoberto pelo coordenador da equipe de atletismo londrinense, Eugênio Zaninelli.
Daí em diante o fundista passou a colecionar títulos atrás de títulos. Pelo menos 12. No Campeonato Paranaense ele foi ouro nos 5 mil e 10 mil metros, no adulto e sub-23. Prestes a se formar em educação física, vai tentar o lugar mais alto do pódio na prova dos 5 mil metros no Troféu Brasil, que disputa hoje, em São Paulo.
Em âmbito internacional foram inúmeras convocações para defender a seleção brasileira. Disputou um Mundial de Cross Country, em 2006, no Japão. No ano seguinte, competiu no Sul-Americano de Cross Country, no Rio de Janeiro. Neste ano, no Sul-Americano de Atletismo, em Medellín, na Colômbia, conquistou o 5º lugar nos 5 mil metros.
Com 22 anos, diz que falta apenas correr o Pan-Americano. ''Essa é a principal e única prova que nunca fiz'', conta. A vida financeira também está equilibrada graças ao atletismo. Como obtém boas marcas e coleciona uma série de títulos, ganha um salário de R$ 800 do projeto Londrina/Fel/Caixa/Sercomtel de Atletismo.
''Tem ainda uma bolsa-atleta no valor de R$ 750. Mas eu pago a mensalidade da minha faculdade que custa R$ 409, sem bolsa. Morava em república até pouco tempo e dividia as contas com outros atletas'', explica ele, que resolveu se casar e está de mudança para uma casa e vida nova.
Rocha abdicou de correr a prova de 10 mil metros em função de uma pequena dor no joelho direito. ''Acho que vai comprometer até os 5 mil. Não deu para treinar o que eu queria para conseguir uma marca melhor'', conta o especialista em longas distâncias.
Na última edição do Troféu Brasil, ficou em oitavo lugar com o tempo de 14min20 correndo os 5 mil metros. Mesmo acima da média, ainda falta muito fôlego para alcançar marcas como a do seu maior ídolo, o etíope Kenesisa Bekele, campeão olímpico dos 5 mil e 10 mil metros com os tempos de 12min37 e 26min17, respectivamente. ''Nessas horas você vê que um minuto parece pouco, mas é muito'', brinca.
Dentre os destaques brasileiros, já treinou na pista londrinense com Joilson Bernardo da Silva, que atualmente é dono da 2 melhor marca do Brasil - 13min42, nos 5 mil metros. O recordista é Marilson Gomes dos Santos, com 13min34. ''A minha meta é conseguir correr abaixo dos 14 minutos. Talvez seja hoje, no Troféu Brasil. Quero ficar entre os três primeiros, mesmo machucado'', almeja.


