Em 2007, o espírito olímpico vai ultrapassar as barreiras dos estádios cariocas onde acontecerão as competições dos Jogos Pan-Americanos. O projeto de segurança, elaborado pelo Ministério da Justiça para garantir a paz durante o evento, pretende construir um novo cenário social por meio da integração entre as comunidades carentes do Rio de Janeiro e entidades organizadoras dos Jogos.
A previsão é que cerca de 10,4 mil jovens sejam capacitados para trabalhar como voluntários durante as competições. Os participantes, que serão indicados pelos próprios líderes comunitários, terão aula de cidadania, ética, informática, inglês, espanhol e conhecimentos turísticos. ''Os Jogos representam a chance de implementação de uma nova coordenação e controle da segurança de grandes eventos'', enfatizou o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. ''Além disso, é uma grande oportunidade para modernização das forças de segurança do Rio de Janeiro.''
Além da participação direta da população no projeto de segurança, o Ministério da Justiça, em parceria com o setor privado, disponibilizará 30% dos ingressos a preços populares. A idéia é fazer com que cada país participante adote uma comunidade. Os atletas farão visitas a esses lugares e os moradores ganharão ingressos para assistir às competições.
''Já falamos com comitês olímpicos de alguns países, que aprovaram a idéia'', avalia o secretário Nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa. ''Essa é a melhor forma de fazermos os moradores se envolverem com o Pan. As favelas pertencem à cidade e excluí-las seria um erro'', conclui o secretário.
A verba da União que vai garantir a execução do projeto de segurança R$ 385 milhões será administrada pelo Ministério da Justiça, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). Os recursos serão repassados por meio de investimentos diretos em equipamentos e cursos de capacitação policial não apenas ao Rio de Janeiro, mas também aos outros estados brasileiros que estarão mobilizados em torno do evento.
A sociedade civil também apóia o projeto. ''Nossa expectativa é muito grande. É a primeira vez que temos a oportunidade de discutir, juntamente com as autoridades, ações que terão impacto sobre nossas vidas'', explicou Cleonice Dias, líder comunitária e coordenadora da Comissão de Esportes e Promoção Social da ONG Centro de Estudos de Ações Culturais e Cidadania. ''Passados os jogos, nossos jovens ficarão com uma melhor expectativa de futuro'', avalia Cleonice.
Integração No final de 2005 foi formado um Gabinete de Gestão Integrada dos Jogos Pan-Americanos (GGI-Pan), que unirá ações das polícias Federal, Rodoviária Federal, Civil, Militar, Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal e Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O Gabinete é o responsável pelo planejamento da segurança do evento, que será elaborado a partir das sugestões e das propostas de cada instituição.
No primeiro encontro do GGI-Pan estiveram presentes representantes de todas as instituições de segurança dos 27 estados. A reunião serviu para começar a definir o desenho logístico das ações que serão desencadeadas para garantir a paz durante os jogos. ''Temos que fazer o melhor, porque é a marca do Brasil que será refletida lá fora'', observou o coordenador das ações, José Hilário Medeiros.

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