Pan: COB sai em busca de novos patrocínios
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de maio de 1999
Por João Pedro Nunes 
São Paulo, 25 (AE) - O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) assinou hoje convênio com a Odontoprev, a maior empresa de saúde odontológica de grupo para empresas do País. Com isso, todos os atletas que forem convocados para a disputa dos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, entre julho e agosto, no Canadá, e da Olimpíada de Sydney, em setembro de 2000, na Austrália, terão tratamento odontológico integral.
O COB ainda procura novos patrocinadores para custear as viagens das delegações. Mesmo se não conseguir mais apoio financeiro, porém, o presidente do COB, Carlos Nuzman, garante que levará equipe completa para o Pan-Americano e nenhum atleta será cortado por falta de dinheiro.
"Temos o apoio em dinheiro da Petrobrás, da Olympikus e dos Laboratórios Roche, mas ainda não é suficiente para bancar as despesas de uma delegação de cerca de 600 pessoas para Winnipeg", admite.
"Estamos tentando novos patrocínios e, felizmente, contamos com o apoio do Ministério dos Esportes e Turismo." Nuzman lista diversos motivos para as dificuldades encontradas pelo COB em obter novos apoios financeiros, que vão desde a crise econômica do País ao excesso de investimentos no futebol, passando pela falta de cultura dos empresários brasileiros na área esportiva.
"Em alguns países, o uso dos aros olímpicos, símbolo do movimento olímpico internacional, em seus produtos tem um reconhecimento muito grande", lembra o dirigente. "Aqui, infelizmente, esta cultura não existe." Outra dificuldade é a falta de interesse dos principais patrocinadores do Comitê Olímpico Internacional (COI) em investir nos comitês nacionais.
Além de não ter apoio de empresas como Coca Cola, Xerox
IBM e Visa, por exemplo, o COB ainda não pode receber apoio financeiro de concorrentes dos patrocinadores do COI. "O COI tem 11 patrocinadores de elite", lembra. "Para nós, são pelo menos 11 portas fechadas." Por não ter os recursos financeiros necessários, o COB não pagará prêmios em dinheiro aos atletas que ganharem medalhas no Pan-Americano do Canadá. Entre os países que competirão em Winnipeg, o Chile já prometeu recompesar cada ganhador de medalha de ouro com um prêmio de US$ 25 mil.
Sem dinheiro, Carlos Nuzman garante não perder o ânimo. "Não podemos abaixar a cabeça diante das dificuldades", acredita. "Temos de continuar na busca de recursos", prossegue. "Isto não é uma reclamação e sim uma constatação."
RECORDES - O Brasil tentará quebrar recordes de conquistas de medalhas em Winnipeg. O País vai disputar 36 das 41 modalidades esportivas do Pan-Americano. O objetivo é superar as 21 medalhas de ouro ganhas nos Jogos de Havana, em 1991, e as 79 conquistadas no total no Pan de Mar del Plata, em 1995.
O COB garante que os atletas terão o máximo possível de conforto na Vila Pan-Americana, na verdade, alojamentos da Força Aérea Canadense. Eles ficarão em apartamentos com banheiros privativos e com ar-condicionado, ao contrário de canadenses e norte-americanos, que se hospedarão em universidades, com banheiro nos corredores e ventiladores nos quartos.


