Atibaia, 17 (AE) - Rojões pela madrugada na porta do hotel, palmeirenses ousados dentro da concentração em Atibaia. Hoje, no dia seguinte à conquista do título da Taça Libertadores da América pelo Palmeiras, os corintianos tiveram de conviver com a festa dos rivais. Para piorar, o Corinthians é, agora, o único dos chamados clubes grandes paulistas que ainda não foi campeão continental. Santos, São Paulo e, desde quarta-feira, Palmeiras já tiveram o privilégio de levantar a taça.
"Corintiano já está acostumado com as brincadeiras dos outros", diz o atacante Dinei, alvinegro de coração. "Já ficamos 23 anos na fila, sem ganhar um título, e passamos por isso." Marcelinho Carioca, que não quis comentar muito o sucesso palmeirense, não se acha uma possível vítima de chacotas. "Isso é coisa de torcedores, que são guiados pela emoção", afirma. "Somos profissionais, vivemos pela razão."
Longe da capital e em busca de sossego, os atletas do Corinthians acabaram perturbados por palmeirenses exaltados, pouco tempo depois da vitória do Palmeiras, quarta-feira sobre o Deportivo Cali. Já na madrugada de hoje, cerca de 80 alviverdes foram soltar rojões na portaria do Park Hotel Atibaia. A segurança corintiana foi obrigada a chamar a polícia.
"Se eles entrassem e viessem fazer agitação dentro do hotel, iríamos tomar alguma providência, com certeza", disse o zagueiro Gamarra, meio em tom de brincadeira, mas com cara feia. A poucos metros do paraguaio, perto da piscina do hotel, dois torcedores do Palmeiras, devidamente uniformizados, um deles com a camisa da Mancha Verde, desfilavam e tentavam chamar a atenção de todos. Gamarra fez um sinal de reprovação com a cabeça.
Uniforme alviverde - Além dos confrontos com o Palmeiras, Marcelinho lembra que as cores verde e branco passaram a fazer parte de sua vida de outra maneira. Aluno de Educação Física das Faculdades Integradas de Guarulhos (FIG), o corintiano é obrigado a usar um uniforme alviverde. "Fica todo mundo me sacaneando lá", conta. Marcelinho, aluno pouco assíduo, começou o curso em 1997, parou, voltou e tem mais um ano para ganhar o diploma.
Quanto a ironias e provocações de atletas palmeirenses, Marcelinho prefere não fazer comentários. Diz apenas que sentirá um gostinho especial se for campeão paulista, no domingo, diante do rival. "Mas só vou revelar a razão depois do jogo", afirma, misterioso. "Se a gente conseguir o título, o torcedor corintiano esquece a derrota na Libertadores e faz a maior festa", emenda Dinei. "Para mim, tenho o estímulo de nunca ter sido campeão estadual."
Seleção - Marcelinho confessou, hoje, em Atibaia, que tinha esperança de ser chamado para a seleção brasileira e disputar a Copa América. Ficou triste. "O comentário aqui no Corinthians era de que eu, o Vampeta e o Edílson seríamos chamados", contou. "Mas eu sobrei." O jogador afirma ter conversado com o técnico Oswaldo de Oliveira, auxiliar de Wanderley Luxemburgo na seleção. "Ele me pediu para ter calma e esperar."

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