São Paulo, 29 (AE) - Depois de um começo arrasador da Portuguesa, no Palestra Itália, o Palmeiras, com uma desvantagem de dois gols, conseguiu a virada. A vitória por 3 a 2, hoje à noite, levou a equipe do técnico Luiz Felipe Scolari aos 22 pontos no Campeonato Brasilero - 10 a mais que a de Zagallo. As chances de classificação aumentam. Paulo Nunes, acusado de racismo recentemente, marcou um gol e garantiu ser "100% negro".
O clássico teve um primeiro tempo emocionante, com quatro gols em 25 minutos, um deles polêmico, além de muito equilíbrio e várias chances de outros gols desperdiçadas. Em uma noite chuvosa, a Portuguesa esfriou ainda mais o torcedor palmeirense nos minutos iniciais. A equipe do Canindé aproveitou erros e desatenção do adversário e conseguiu dois gols em pouco tempo.
Aos 3 minutos, o atacante Leandro arriscou um chute de fora da área no canto direito de Marcos. O goleiro, que não conseguiu evitar o primeiro gol da Lusa, admitiu, depois, ter falhado no lance. Os jogadores da Portuguesa passaram, então, a arriscar chutes de longa distância, parecendo não acreditar em Marcos. Foi tocando bola, porém, que a Portuguesa chegou ao segundo. Aos 11 minutos, Aílton passou fácil por Roque Júnior e serviu Alexandre, sozinho, tocar a bola ao gol na saída do goleiro.
Aos 15, Euller entrou no lugar de Alex, machucado, uma aposta de Scolari em deixar sua equipe mais ofensiva. Aos 23, quando Jackson se preparava para substituir Zé Maria, o Palmeiras chegou ao primeiro gol. Júnior cobrou falta pela esquerda, a bola bateu na barreira e, no rebote, o lateral cruzou a bola para a área. César Sampaio, em posição duvidosa, tocou, sozinho, para o gol.
Os jogadores da Portuguesa reclamaram bastante com o assistente Válter José dos Reis.
No minuto seguinte, Jackson foi para o jogo e, aos 25, Paulo Nunes empatou a partida. Ele aproveitou a sobra de um chute fraco de Euller, driblou o goleiro Adinan e completou a jogada. Na comemoração, mostrou uma camisa branca, por baixo da verde, com a frase: "100% negro", uma forma de responder às acusações de racismo. "Sou muito mais do que isso; sou 1000% negro", disse o palmeirense. "Demonstrei o que eu sinto." Apesar dos quatro gols, as equipes não estavam satisfeitas. Partiram para o ataque e criaram boas oportunidades ainda na primeira etapa.
Marcos e Adinan fizeram grandes defesas. O ritmo forte e o equilíbrio continuaram nos minutos iniciais do segundo tempo. Aos poucos, no entanto, o Palmeiras passou a tomar mais a iniciativa de jogo. A equipe de Zagallo explorava os contra-ataques.
A insistência deu certo em uma jogada de bola parada. Aos 22 minutos, Zinho, esboçava um cruzamento na cobrança da falta, mas chutou a bola para o gol. Fez o terceiro, o da virada. Adinan foi surpreendido e atrapalhado pelo empurra-empurra dos jogadores na grande área. A Portuguesa buscou o empate timidamente e o Palmeiras poderia até ter marcado mais gols. O vira-vira na Lusa aqueceu o palmeirense nas arquibancadas. Ficha Técnica: Palmeiras - 3 x 2 Portuguesa - Gols: Leandro aos 3, Alexandre aos 11, César Sampaio aos 23 e Paulo Nunes aos 25 minutos do primeiro tempo; Zinho aos 22 minutos do segundo. Palmeiras - Marcos; Zé Maria (Jackson), Roque Júnior, Galeano e Júnior; Rogério, César Sampaio, Alex (Euller) e Zinho; Paulo Nunes e Evair (Agnaldo). Técnico - Luiz Felipe Scolari. Portuguesa - Adinan; Alexandre Chagas, Emerson, Fabrício (Marcelo Miguel) e Marcelo Santos; Simão, Pintado, Alexandre (Dimba) e Evandro; Aílton (Edu) e Leandro. Técnico - Zagallo. Juiz - Sálvio Spínola Fagundes Filho (SP). Cartão amarelo - Roque Júnior, César Sampaio, Euller, Marcelo Santos e Aílton. Renda e público - Não divulgados. Local - Palestra Itália.

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