Palmeiras troca Levir por Picerni
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2002
Agência Folha 
São Paulo - O Palmeiras despediu ontem o técnico Levir Culpi, comandante no rebaixamento do Brasileiro, e chamou para seu lugar Jair Picerni, que estava no Guarani.
O contrato de Picerni vai até o final de 2003, com um salário mensal estimado em R$ 80 mil, o mesmo valor que recebia o demitido. O clube planeja apresentá-lo oficialmente hoje, mas seu trabalho só começa no dia 2 de janeiro, quando a equipe se apresenta para a próxima temporada.
Às vésperas da eleição para a presidência do clube, a contratação de um novo treinador é mais um trunfo para Mustafá Contursi em busca de mais uma reeleição - dessa vez concorrendo com a chapa de oposição encabeçada por Luiz Gonzaga Belluzzo. Para o atual presidente, Picerni é um nome que agrada toda a coletividade palmeirense.
Por outro lado, a saída de Culpi era só uma questão de tempo após o fracasso no Nacional, afinal, vários setores do clube pressionavam por sua demissão.
O primeiro indício foi a contratação do zagueiro Índio, ex-Juventude, sem ao menos consultar Culpi. O segundo e definitivo foi a negociação com Picerni, que começou há uma semana.
O Palmeiras já descartara a vinda do campeão brasileiro Emerson Leão, já que o comandante santista recusara os R$ 110 mil oferecidos pelo clube. A negociação com Picerni foi fechada na noite de sábado, com um telefonema de Mustafá para o treinador, que, logo depois, comunicou ao Guarani sua saída.
Era agora ou nunca, afinal, esta não era a primeira vez que Picerni é procurado pelo time paulistano. Com a saída de Celso Roth durante o Brasileiro-2001, o presidente palmeirense chegou a um acordo verbal com Picerni, que, de última hora, recusou a oferta.
Uma nova negativa significaria as portas fechadas do Parque Antarctica para o técnico que recuperou sua fama dirigindo o modesto e jovem São Caetano em três vice-campeonatos. Picerni despontou dirigindo a seleção olímpica nos Jogos de Los Angeles-1984, quando o Brasil obteve a prata. Depois, foi para o Corinthians, mas seu fracasso por lá o relegou a peregrinar por vários clubes medianos do interior.Seu renascimento aconteceu em 2000, quando o São Caetano surpreendeu os grandes clubes e chegou à final da Copa João Havelange. Em uma decisão conturbada, foi derrotado pelo Vasco. Em 2001, Picerni repetiu a dose, contudo o algoz na finalíssima dessa vez foi o Atlético-PR. Neste ano, porém, o clube do ABC conseguiu um feito ainda maior, chegando à decisão continental contra o Olimpia (Paraguai), mas desperdiçou a chance de levar a Taça Libertadores.


