São Paulo - O atacante Vagner Love foi dispensado do treino de ontem de manhã do Palmeiras. Agredido por torcedores, o jogador ainda passou cerca de sete horas na delegacia prestando depoimento na noite de terça-feira. Os agressores já foram detidos e podem ficar presos por até quatro anos. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Segurança Pública, eles serão transferidos para o Centro de Detenção Provisória da Vila Independência.
Revoltado com a agressão ao companheiro, o volante Edmílson desabafou. ''Não sei quem é o presidente do sindicato dos atletas, quem é dono. Só sei que é descontado na folha de pagamento. Quando ganha, é o melhor do mundo e quando perde é exposto. Por isso não queria comentar, mas vocês (jornalistas) ficam me cutucando e eu falo a verdade. Pode ser ruim para mim, mas é o que acho. Agora que falei vai aparecer um monte de gente querendo reunião. Mas quando acontece uma coisa ruim ninguém aparece. Enquanto não acontecer um desastre e uma coisa feia, e Deus nos livre de isso acontecer, não vão parar com isso. Enquanto não matar um jogador... Se o cara estivesse armado e o Vagner poderia acontecer algo, pois estavam de sangue quente. Eu, nesses tempos, sou mudo e surdo. Se meu rendimento não está legal eu vou falar o que para o cara?'' declarou o volante.
Para se concentrar para a partida contra o Botafogo, no domingo, pela última rodada do Campeonato Brasileiro, o Palmeiras vai viajar para Itu hoje.
O time ocupa atualmente a terceira posição, com 62 pontos, dois a menos que o líder, o Flamengo, e três a mais que o Cruzeiro, o primeiro fora da zona de classificação da Libertadores.
Segurança
A confusão com Vágner Love fará com que o Palmeiras reforce a segurança nos dias que antecedem a rodada final do Campeonato Brasileiro. A ideia da diretoria é que os jogadores sejam escoltados até em casa após os treinos, por exemplo.
A presença de policias e seguranças no Palmeiras tem sido cena comum nos últimos dias. Após a derrota para o Grêmio, em Porto Alegre, há duas semanas, o clube pediu reforço policial na chegada a São Paulo. Viaturas acompanharam o ônibus palmeirense, o trânsito ficou parado em algumas ruas, o medo se instalou no clube.
A diretoria prometeu que vai tomar medidas para o que aconteceu terça-feira não se repita. ''Vamos conversar com a segurança pública para que os jogadores tenham a segurança reforçada'', disse Gilberto Cipullo, vice-presidente de futebol do Palmeiras.
No domingo, o Palmeiras enfrenta o Botafogo no Rio e ainda tem chances de ficar com o título. Se perder, no entanto, pode nem conseguir a vaga na Libertadores do ano que vem. Mais temor. ''Se a classificação não chegar vamos tomar medidas de proteção a todo nosso elenco'', avisou Cipullo.
Após tantas confusões, todos no Palmeiras sabem que apenas a vitória no domingo e a classificação para a Libertadores podem melhorar o conturbado clima palmeirense.

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