O futebol brasileiro pode ter esta noite o terceiro clube a ganhar pela segunda vez consecutiva a Taça Libertadores da América. O Palmeiras decide a competição sul-americana contra o Boca Juniors, da Argentina, às 21h40, no Morumbi, pensando na possibilidade de repetir o feito do Santos e São Paulo, os únicos do País que foram bi da Libertadores.
O Alvinegro de Pelé foi bicampeão em 1962/63. O Tricolor, comandado pelo técnico Telê Santana, ganhou em 1992/93. O outro clube brasileiro a ganhar duas vezes a competição foi o Grêmio, mas em épocas distantes: 1983 e 1995.
Se vencer o Boca, o Palmeiras conquistará o título mais importante da história do clube, e terá nova oportunidade para tentar o título inédito de campeão do Mundial Interclubes no fim do ano, em Tóquio, contra o Real Madrid, da Espanha. No ano passado, o Alviverde perdeu o Mundial para o Manchester United, da Inglaterra. Embora a diretoria do Alviverde não confirme, o prêmio pela conquista deverá ser cerca de R$ 50 mil, proporcional ao número de jogos que cada atleta disputou – Marcos, Rogério e Pena são os únicos que atuaram em todos os jogos.
No primeiro jogo da final da Libertadores-2000, realizado na semana passada em Buenos Aires, houve empate (2 a 2). Se a partida desta noite terminar empatada no tempo normal, nenhuma equipe levará vantagem. O título será decidido nos pênaltis.
O último treino do Palmeiras, um recreativo com o técnico Luiz Felipe Scolari atuando de zagueiro, ontem à tarde na Academia da Barra Funda, contou com a presença de mais de 100 torcedores, que fizeram uma festa, com faixas e cantando um samba feito para os atletas. O presidente do clube, Mustafá Contursi, considera o jogo um dos mais difíceis dos últimos anos do Palmeiras, pelo otimismo da torcida, que, segundo o dirigente, está exagerado. ‘‘O pessoal parece que está contando com a vitória antes do tempo’’, disse o dirigente. ‘‘Os torcedores estão se preparando para uma festa, e se esquecem que do outro lado há um grande adversário.’’
Argel garante que a euforia da torcida não vai atrapalhar o desempenho da equipe. O zagueiro garante que entre os jogadores não há otimismo fora do limite. ‘‘Apenas confiança na equipe’’, disse o jogador, que poderá ganhar seu segundo título no Palmeiras, desde que chegou ao clube no início da temporada – antes havia ganho o Torneio Rio-São Paulo. Ele ressalta que a presença maciça da torcida do Palmeiras poderá ser fundamental. ‘‘Vocês não imaginam o que foi o jogo em La Bombonera; o barulho da torcida era tanto que em determinado momento da partida não dava nem para falar com um companheiro ao lado.’’
O volante César Sampaio deve fazer novamente uma marcação especial no meia Riquelme, do Boca, como ocorreu no segundo tempo da partida em Buenos Aires. ‘‘Por ele passa a maioria das jogadas do adversário’’, disse o volante. ‘‘Se não dermos espaço para esse jogador, eles poderão sentir a falta de força no ataque.’’
O esquema ofensivo do Palmeiras novamente dependerá da habilidade do meia Alex e do lateral-esquerdo Júnior. Alex na criação das jogadas e Júnior pelo poder de avançar com a bola dominada pela linha de fundo. Mas Scolari tem outra opção no banco, o atacante Basílio, que durante o jogo poderá, com Euller, dar mais velocidade ao ataque.

mockup