São Paulo, 21 (AE) - O embarque, na madrugada desta segunda-feira, foi para o Palmeiras a etapa final de uma preparação marcada por alguns desencontros, desmentidos e preciosismos. O vôo da delegação palmeirense tinha saída prevista para às 1h30, no vôo 838 da Varig, com destino a Nagóia. A delegação, com 39 pessoas - Alex e o preparador físico Carlos Pacheco já estão no Japão -, deve chegar terça-feira às 14h30 (3h30 da madrugada).
A preparação deixou a desejar em vários aspectos. Tecnicamente, o time não se classificou para o playoff do Campeonato Brasileiro e saiu em desvantagem nas semifinais da Copa Mercosul (perdeu quinta-feira para o San Lorenzo, 1 a 0, na Argentina). O Palmeiras também teve falhas administrativas que atrasaram o cronograma da viagem.
A primeira foi provocada pelo excesso de zelo do presidente Mustafá Contursi, que perdeu tempo negociando a quantidade de ingressos com a ISL, empresa de marketing esportivo que organiza o torneio. Cada time participante tinha direito a 500 ingressos, mas o Palmeiras queria 2.500 ingressos. A ISL relutava em atender o pedido do time brasileiro.
O impasse só foi resolvido em outubro, retardando o início das vendas, o que prejudicou os resultados do pool das 13 agências de turismo credenciadas pelo Palmeiras. No final, foram vendidos apenas 540 ingressos (pacotes). A Stella Barros e a Monark, que não são credenciadas, venderam aproximadamente outros 400 pacotes. Ao todo, 940 torcedores brasileiros compraram os pacotes turísticos e acompanharão o time na decisão.
Outro ponto de desgaste foi a realização ou não de um amistoso na China. O Palmeiras recebeu propostas para jogar naquele país antes da partida contra o Manchester. Por cotas milionárias - falava-se em US$ 400 mil por jogo -, a ISL autorizou o amistoso, mas um choque de opiniões entre o técnico Luiz Felipe Scolari, o diretor de esportes da Parmalat, Paulo Angioni, e o diretor de Futebol Sebastião Lapola mostrou que a união entre clube e co-gestora não é tão coeso quanto se imagina.
Lapola era a favor dos amistosos. Angioni, contra. Luiz Felipe declarou que não se responsabilizava por infortúnios (como contusões) que ocorressem nos amistosos. O consenso foi pelo cancelamento.
Mas o planejamento teve pontos requintados. Há duas semanas, um funcionário da Tour House, agência de turismo que organizou a viagem, foi ao Japão especialmente para percorrer todos os pontos por onde a delegação vai passar: desde o desembarque em Nagóia, a viagem de ônibus até Yokohama, hotéis, centros de treinamentos e principais translados. Esse funcionário deve acompanhar a delegação. O Palmeiras também vai liberar o uso de telefones celulares. Foram requisitados 80 celulares que serão distribuídos para a delegação e convidados. O Palmeiras arcará com as ligações locais, mas os interurbanos serão cobrados de cada usuário.
O presidente Mustafá Contursi e convidados do Palmeiras viajarão próximo ao dia 30. A co-gestora Parmalat também levará 70 convidados, entre clientes e funcionários.
O uniforme é um ponto em aberto. Segundo Lapola, os organizadores japoneses teriam permitido a utilização de uniformes com os respectivos patrocinadores. Mas essa informação não foi oficializada. Por via das dúvidas, o Palmeiras vai levar dois jogos de camisas. Um com a camisa lisa, outro com a marca da Parmalat nas costas.
JOGO-TREINO - Em relação ao treinamento, o Palmeiras realizará apenas um jogo-treino. Será no dia 26, contra o Frontale Kawasaki, time que venceu a Segunda Divisão da J.League e ascendeu para a divisão principal no próximo ano. A escolha do Frontale não foi por acaso. Kawasaki é uma cidade vizinha de Yokohama. Além disso, o Frontale tem um convênio com o Grêmio, ex-time do técnico Luiz Felipe (o zagueiro Scheidt já jogou uma temporada lá) e o clube brasileiro contou com o auxílio de Yukoh Takahashi, representante brasileiro da Copa Toyota e do clube japonês.

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