São Paulo - Seja quem for o próximo presidente do Palmeiras, ou mesmo se Salvador Hugo Palaia, que ocupa o cargo interinamente, conseguir, de fato, sanear financeiramente o clube, pelo menos uma grande dívida o sucessor de Luiz Gonzaga Belluzzo terá a resolver: o pagamento da contratação de Valdivia.
Apesar de ter levantado todo o dinheiro para bancar os quase R$ 14 milhões ao Al-Ain, referentes à aquisição do meia chileno, a diretoria do Palmeiras deixou o pagamento em aberto, numa espécie de compra pré-datada.
Em vez de usar o dinheiro adquirido com os sócios remidos (o grupo dos Eternos Palestrinos) para comprar o ídolo à vista, o Palmeiras utilizou a verba extra para tapar outros buracos no caixa do clube.
Aos dirigentes do time dos Emirados Árabes, o Palmeiras enviou uma carta de crédito emitida pelo banco Banif, com promessa de pagamento dos R$ 14 milhões em maio de 2011. A estratégia para fazer dinheiro no curto prazo, no entanto, gerou um custo a mais para o clube no futuro.
Para emitir a garantia, o Banif cobrou uma taxa de 6% sobre o valor da negociação. Na prática, com a entrada de um agente intermediário na transação, a contratação do chileno ficou R$ 840 mil mais cara do que o valor acordado entre o Palmeiras e o Al-Ain.
A manobra financeira causou mal-estar entre os membros do Conselho de Orientação e Fiscalização (COF). O caso foi um dos principais motivos que fizeram o órgão fiscalizador reprovasse as contas do clube apresentadas pela diretoria.
Durante a reunião do COF, na última semana, o então diretor de futebol Gilberto Cipullo foi perguntado sobre a transação e a decisão de deixar o custo da contratação de Valdivia para a nova gestão que assumirá a partir de janeiro.
O vice-presidente argumentou que como toda a negociação fora conduzida pessoalmente pelo presidente Luiz Gonzaga Belluzzo ele não poderia esclarecer o caso por não saber dos detalhes.
A decisão de saldar dívidas com prazo de vencimento imediato e tentar jogar para a frente outras cobranças é uma estratégia da diretoria financeira. ''Fizemos uma proposta de reengenharia financeira mas infelizmente o COF não aprovou essa reengenharia'', disse o diretor financeiro Francisco Busico.

mockup