Palmeiras se arma para guerra no Rio
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Das agências 
O Palmeiras não se está preocupando com artimanhas do Vasco, amanhã, no Rio, mas se arma para decisão da vaga nas quartas-de-final Libertadores como se fosse uma guerra. Os palmeirenses esperam de tudo. Para citar um exemplo de como o Vasco trata os visitantes, na última vez em que jogou em São Januário (fevereiro pelo Rio-São Paulo), os goleiros não puderam fazer aquecimento no gramado e ao final da partida não tinha água para o banho. Do Eurico e do Vasco a gente pode esperar tudo, mas não podemos nos preocupar com armações. Porque o que vale é dentro de campo e lá o que vale é a determinação e o espírito de luta, ensina o atacante Evair.
No último confronto, o goleiro Marcos, na época reserva de Velloso, estranhou não poder entrar em campo antes do jogo, mas como todos no time não vai dar bola às provocações vascaínas. A gente entra para jogar, o que acontece nos bastidores e fora de campo não interessa. O Vasco é um dos melhores times do Brasil e não precisa de armações para vencer o Palmeiras.
O técnico, Luiz Felipe Scolari, foi o mais diplomático possível para responder sobre o clima que vai estar em São Januário antes do início da partida.
Se houver qualquer problema, quem tem que cuidar é a diretoria. Digo uma coisa: o Vasco veio aqui e teve tratamento vip da hora que chegou até sair. Gostaríamos de receber o mesmo.
Scolari ficou surpreso com o que viu no time nos últimos jogos, principalmente domingo contra o São Paulo, e vê isso como motivação extra para desbancar os vascaínos.
O que vi no túnel antes de entrar para o segundo tempo foi de arrepiar. Os jogadores se cobraram de uma maneira que nunca houve e por isso fomos buscar o resultado. Luiz Felipe acredita que a derrota do Vasco para o Flamengo na decisão da Taça Guanabara vai ser um ânimo a mais para os cariocas.
Marcos - Destaque no clássico contra o São Paulo, no domingo, ganhador de prêmios e elogios, Marcos, o goleiro palmeirense, espera não ter tanto trabalho, amanhã, contra o Vasco, em São Januário. Pelas circunstâncias, um certo anonimato seria até bem-vindo.
Tomara que a bola chegue pouco ao meu gol, afirma, apesar de reconhecer o bom potencial ofensivo do Vasco. Na primeira partida, um empate por 1 a 1, no Palestra Itália, o grande herói do jogo foi Carlos Germano, o goleiro rival.
Marcos quer também esquecer os elogios. Se eu não for bem contra o Vasco, tudo isso que consegui vai por água abaixo, conta. Apesar de ter sofrido quatro gols contra o São Paulo - um empate por 4 a 4 -, Marcos fez defesas bonitas. Algumas delas foram obra de Deus, afirma.
Marcos ganhou a vaga de Velloso desde que o titular se machucou. Velloso está praticamente recuperado. É uma opção do treinador se vou ficar no time ou não, diz. Mas Marcos não esconde a vontade de seguir na equipe. É importante estar jogando porque é a única chance de aparecer e chegar à seleção, conta.
Contra o Vasco, todos os titulares estarão de volta. Estamos descansando e vamos com tudo para cima do Vasco, disse Paulo Nunes, que, a exemplo de Júnior Baiano, Júnior, César Sampaio e Zinho, não enfrentou o São Paulo. Evair, de 34 anos, anunciou ontem que vai encerrar a carreira no próximo ano.
Ajuda divina - No treino de ontem à tarde, a torcedora Edi Fernandes Paulino distribuiu correntinhas de Santo Expedito para alguns atletas e uma imagem do santo para Scolari. É o santo dos desesperados, das causas impossíveis, contou a torcedora, com lágrimas nos olhos. Ele vai nos ajudar a ganhar a Libertadores, disse a Scolari. Ontem, foi comemorado o dia de Santo Expedito. Scolari agradeceu o apoio divino e retribuiu Edi com uma camisa do Palmeiras.


