O Palmeiras não se está preocupando com artimanhas do Vasco, amanhã, no Rio, mas se arma para decisão da vaga nas quartas-de-final Libertadores como se fosse uma guerra. Os palmeirenses esperam de tudo. Para citar um exemplo de como o Vasco trata os visitantes, na última vez em que jogou em São Januário (fevereiro pelo Rio-São Paulo), os goleiros não puderam fazer aquecimento no gramado e ao final da partida não tinha água para o banho. ‘‘Do Eurico e do Vasco a gente pode esperar tudo, mas não podemos nos preocupar com armações. Porque o que vale é dentro de campo e lá o que vale é a determinação e o espírito de luta’’, ensina o atacante Evair.
No último confronto, o goleiro Marcos, na época reserva de Velloso, estranhou não poder entrar em campo antes do jogo, mas como todos no time não vai dar bola às provocações vascaínas. ‘‘A gente entra para jogar, o que acontece nos bastidores e fora de campo não interessa. O Vasco é um dos melhores times do Brasil e não precisa de armações para vencer o Palmeiras.’’
O técnico, Luiz Felipe Scolari, foi o mais diplomático possível para responder sobre o clima que vai estar em São Januário antes do início da partida.
‘‘Se houver qualquer problema, quem tem que cuidar é a diretoria. Digo uma coisa: o Vasco veio aqui e teve tratamento vip da hora que chegou até sair. Gostaríamos de receber o mesmo.’’
Scolari ficou surpreso com o que viu no time nos últimos jogos, principalmente domingo contra o São Paulo, e vê isso como motivação extra para desbancar os vascaínos.
‘‘O que vi no túnel antes de entrar para o segundo tempo foi de arrepiar. Os jogadores se cobraram de uma maneira que nunca houve e por isso fomos buscar o resultado.’’ Luiz Felipe acredita que a derrota do Vasco para o Flamengo na decisão da Taça Guanabara vai ser um ânimo a mais para os cariocas.
Marcos - Destaque no clássico contra o São Paulo, no domingo, ganhador de prêmios e elogios, Marcos, o goleiro palmeirense, espera não ter tanto trabalho, amanhã, contra o Vasco, em São Januário. Pelas circunstâncias, um certo anonimato seria até bem-vindo.
‘‘Tomara que a bola chegue pouco ao meu gol’’, afirma, apesar de reconhecer o bom potencial ofensivo do Vasco. Na primeira partida, um empate por 1 a 1, no Palestra Itália, o grande herói do jogo foi Carlos Germano, o goleiro rival.
Marcos quer também esquecer os elogios. ‘‘Se eu não for bem contra o Vasco, tudo isso que consegui vai por água abaixo’’, conta. Apesar de ter sofrido quatro gols contra o São Paulo - um empate por 4 a 4 -, Marcos fez defesas bonitas. ‘‘Algumas delas foram obra de Deus’’, afirma.
Marcos ganhou a vaga de Velloso desde que o titular se machucou. Velloso está praticamente recuperado. ‘‘É uma opção do treinador se vou ficar no time ou não’’, diz. Mas Marcos não esconde a vontade de seguir na equipe. ‘‘É importante estar jogando porque é a única chance de aparecer e chegar à seleção’’, conta.
Contra o Vasco, todos os titulares estarão de volta. ‘‘Estamos descansando e vamos com tudo para cima do Vasco’’, disse Paulo Nunes, que, a exemplo de Júnior Baiano, Júnior, César Sampaio e Zinho, não enfrentou o São Paulo. Evair, de 34 anos, anunciou ontem que vai encerrar a carreira no próximo ano.
Ajuda divina - No treino de ontem à tarde, a torcedora Edi Fernandes Paulino distribuiu correntinhas de Santo Expedito para alguns atletas e uma imagem do santo para Scolari. ‘‘É o santo dos desesperados, das causas impossíveis’’, contou a torcedora, com lágrimas nos olhos. ‘‘Ele vai nos ajudar a ganhar a Libertadores’’, disse a Scolari. Ontem, foi comemorado o dia de Santo Expedito. Scolari agradeceu o apoio divino e retribuiu Edi com uma camisa do Palmeiras.

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