Palmeiras nervoso pega o São Paulo
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sábado, 18 de abril de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaO meia Zinho recuperou-se de contusão e reforça o Palmeiras O Palmeiras entra para a primeira partida da semifinal do Campeonato Paulista, hoje, às 16 horas, no Morumbi, contra o São Paulo, imerso em problemas. Além da vantagem do empate pertencer ao adversário, a equipe terá de lutar para superar crises internas, que foram se multiplicando à medida em que se aproximava a decisão.
Os problemas começaram nos primeiros treinos da semana - com o protesto de torcedores que foram impedidos de ver os treinamentos. Foram ampliados com o desentendimento entre o goleiro Velloso e o atacante Paulo Nunes e, atingiram o climax no começo da noite de sexta-feira, quando o técnico Luiz Felipe Scolari agrediu um repórter com um soco na boca. Às vésperas da decisão, o Parque Antártica foi transformado numa panela de pressão.
A única boa notícia para o torcedor palmeirense foi a liberação do meia Zinho. O jogador reagiu bem ao tratamento intensivo a que foi submetido ao longo da semana e garantiu presença no clássico. Joguei e não senti nada na minha coxa direita. Toquei bola, combati e dei vários piques. Como vinha falando, jogarei contra o São Paulo. Me sinto ótimo, disse ele, depois de atuar nos últimos 25 minutos de um coletivo de uma hora, realizado na sexta-feira.
Scolari passou a semana tentando acertar a defesa. Depois de sofrer 17 gols em 10 jogos, o treinador admitia que poderia mudar esse setor da equipe com a escalação de Agnaldo no lugar de Roque Junior. Desistiu da mudança. Roque Junior foi confirmado e será o companheiro de Cléber no miolo da zaga.
A melhor campanha entre os semifinalistas e o bom futebol que a equipe vem apresentando não serão suficientes para garantir ao São Paulo o título do Paulista. Para vencer o Palmeiras e dar o primeiro passo para quebrar o jejum de mais de três anos sem conquistas significativas, os jogadores precisam superar um trauma antigo: a responsabilidade de substituir o time que marcou época e colecionou troféus sob o comando de Telê Santana no início da década.
A análise é do jornalista Ricardo Viveiros, que, como superintendente de futebol do clube, fez um estudo do perfil comportamental dos atletas sob a visão da psicologia das relações humanas entre maio e novembro de 97.
Nelsinho Baptista, atual treinador, entende que, se havia algum trauma psicológico, o time já o superou. Os jogadores têm demonstrado muita personalidade e maturidade, e eu, particularmente, não sinto uma pressão que possa desestabilizar o grupo. O técnico faz mistério para definir a escalação. Carlos Miguel, machucado, é dúvida, e Dodô pode ir para o banco.
Para ser finalista, o São Paulo leva a vantagem de dois empates ou de uma vitória e uma derrota pela mesma diferença de gols, já que na fase anterior totalizou 25 pontos no Grupo 4, contra 19 do Palmeiras, no Grupo 3. Mas se ganhar uma partida e perder outra, o Palmeiras decidirá o título, desde que leve a melhor no saldo de gols. O jogo de volta será no próximo sábado, no Morumbi.Palmeiras
Velloso; Arce, Roque JUnior, Cleber e JUnior; Rogério, Galeano, Alex e Zinho; Paulo Nunes e Oseas. Técnico: Luiz Felipe Scolari


