Palmeiras e Corinthians, que vivem realidades distintas no dia-a-dia, começam a lutar hoje, às 21h40, no Morumbi, por uma vaga nas semifinais da Taça Libertadores da América. O jogo de volta das quartas-de-final será disputado na próxima quarta-feira, também no Morumbi. Quem se classificar enfrentará River Plate ou Velez Sarsfield.
Os palmeirenses, embalados pela vitória sobre o Vasco, atual campeão, têm ligeiro favoritismo, mas desconversam. O Corinthians tenta afastar a crise e o clima tenso. Busca ainda reviver os tempos de Wanderley Luxemburgo, com a volta do técnico Oswaldo de Oliveira, no lugar de Evaristo de Macedo. Na primeira fase da competição, cada equipe venceu um jogo.
Empenho e humildade. É assim que o Palmeiras promete enfrentar o Corinthians. O técnico Luiz Felipe Scolari mais uma vez advertiu seus jogadores para não serem surpreendidos pela situação que o adversário atravessa no momento, após a saída do técnico Evaristo de Macedo. ‘‘É na crise que se cresce’’, disse Scolari, repetindo o slogan veiculado nas emissoras de televisão.
O treinador afirmou que o Palmeiras não vai mudar seu estilo de jogo. A dupla de atacantes Paulo Nunes e Oseas será novamente uma das esperanças para o Alviverde conseguir a vitória. Os dois jogadores são os artilheiros do time na temporada. Paulo Nunes tem 10 gols e Oseas, 9. Eles prometeram que vão fazer uma comemoração especial caso marquem gols hoje. Scolari só não poderá contar com o lateral-esquerdo Júnior, que está suspenso. Rubens Júnior deverá ser o substituto.
Oswaldo de Oliveira procurou fazer do descrédito que se abateu sobre o Corinthians após os últimos resultados a principal arma para unir os jogadores em torno de seu trabalho e instigá-los contra o Palmeiras. O treinador, que retornou ao cargo num momento delicado, tentou se aproveitar do favoritismo atribuído ao Palmeiras para lançar um desafio de superação aos atletas. ‘‘O favoritismo acomoda o favorito e motiva o desacreditado: isso vai ser trabalhado até o momento do jogo’’, disse Oswaldo.
Em dois dias de Atibaia, ele, com reuniões, conversas e postura muito mais firme, conseguiu deixar o ambiente leve e o time mais confiante. ‘‘Não tenho mérito especial; se existe afinidade e empatia, se o objetivo é comum e os jogadores estão bem intencionados, fica fácil’’, argumentou o técnico. Oswaldo tem procurado incutir na cabeça dos atletas que o jogo de hoje não é o definitivo, mesmo que, para ele, signifique a permanência ou não no cargo.
O que se viu na concentração nos últimos dias foram elogios rasgados a Oswaldo e críticas ao método de trabalho do antecessor Evaristo de Macedo. ‘‘Se o Oswaldo não passava segurança da primeira vez que assumiu a equipe, agora passa’’, disse Marcelinho. ‘‘Felizmente a filosofia de trabalho do Wanderley Luxemburgo (ex-técnico do time) está de volta: o Evaristo não gritava com a gente; se gritava, eu não ouvia’’, afirmou Gamarra, que reclamou da falta de treinos.
Evaristo de Macedo rebateu as críticas dos jogadores e lamentou a desunião do grupo, principalmente o comportamento de Rincón. Segundo ele, o colombiano teria brigado com Edílson e Marcelinho e, em certos momentos, pensava mais em dinheiro, como Gamarra, do que em futebol.


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