Palmeiras faz 50% dos gols nos 15 minutos finais
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de junho de 1999
Por Arnaldo Ribeiro 
São Paulo, 09 (AE) - Faltam 15 minutos para terminar o jogo. Se o seu time está jogando contra o Palmeiras, mesmo estando vencendo, prepare-se para o pior. É a partir dos 30 minutos do segundo tempo que o Alviverde tem marcado ultimamente 50% dos seus gols, conseguindo viradas impressionantes, que vão mantendo o time vivo nas fases finais das três competições que disputa: Taça Libertadores, Campeonato Paulista e Copa do Brasil.
Bom preparo físico e emocional, revezamento entre os atletas, apoio da torcida. As explicações são diversas. O fato é que, nos últimos 25 dias, o Palmeiras jogou 11 partidas, desde a derrota por 2 a 1 para o Flamengo pelas quartas-de-final da Copa do Brasil até a vitória da terça-feira por 2 a 1 sobre o Santos, pelas semifinais do Paulista. Neste período, marcou 22 gols, 17 no segundo tempo e 11 após os 30 minutos da etapa final.
Matadores - Paulo Nunes, Alex e Euller, que agora costumam entrar durante as partidas, são os algozes dos adversários nos minutos finais. Alex marcou 4 dos 11 gols decisivos. Paulo Nunes e Euller fizeram 3 cada e Oseas marcou 1.
O técnico do Santos, Émerson Leão, já havia detectado essa característica letal do adversário, mas não conseguiu evitar a derrota nas mesmas circunstâncias para o Palmeiras. "Que cansaço é este do Palmeiras, se o time só marca gols e consegue as vitórias no segundo tempo?", indagou, antes dos confrontos entre os times. Depois do jogo de terça, restou a ele dizer que "a estrela de Paulo Nunes está brilhando mais que a de todo o time do Santos".
Para o técnico Luiz Felipe Scolari, o Palmeiras tem demonstrado um "poder de reação" indiscutível em seguidos jogos. "Isto é ótimo para uma equipe que está disputando três competições de forma simultânea."
Scolari atribui ao trabalho global da comissão técnica, dos jogadores e até da torcida o fato de a equipe não desistir nunca de buscar o que resultado que interessa no momento.
"Nós estamos procurando fazer um revezamento inteligente entre os atletas para que não haja desgaste excessivo", disse. "Se eu coloco o Paulo Nunes desde o início, com todo mundo fresquinho, é uma coisa; se eu coloco ele no segundo tempo, com o pessoal mais cansado, é outra", acrescentou, explicando o motivo pelo qual Paulo Nunes, Alex e até Euller têm entrado na etapa final para decidir as partidas.
"Tem também o aspecto da nossa torcida, que está sendo o 12.º jogador, apoiando e acreditando na equipe até o fim: era esse entrosamento que estava faltando no clube", afirmou o treinador. "O pessoal fala que nós vamos matar os torcedores do coração, mas eles já estão acostumados", disse Arce.
Nas conversas entre jogadores e comissão técnica é frequentemente citado o exemplo do Manchester United, que conquistou o título da Copa dos Campeões da Europa ao derrotar o Bayern de Munique por 2 a 1, com dois gols nos descontos.
Preocupação - As vitórias no sufoco e as viradas incríveis, como os 4 a 2 no Flamengo, pela Copa do Brasil, os 4 a 3 na Portuguesa e os 2 a 1 no Santos, ambos pelo Paulista, podem manter a empolgação da torcida, mas preocupam vários jogadores.
O goleiro Marcos é um deles. Ele diz que o Palmeiras "descobriu o seu poder de reação" após os 4 a 2 no Flamengo, mas entende que a equipe está correndo muitos riscos, permitindo que os adversários saiam sempre na frente no placar para depois tentar a virada no fim.
"O Luiz Felipe (Scolari) já nos reuniu para dizer para não contarmos sempre com os gols salvadores no fim", disse. "A partir de agora, são só jogos decisivos, jogos de finais; não podemos sair atrás sempre porque vai chegar uma hora em que não conseguiremos virar e aí será fatal", acrescentou Marcos.
"A torcida gosta dessas vitórias heróicas, mas para nós jogadores é muito desgastante; o ideal seria liquidar os jogos o mais cedo possível, disse Zinho.


