Agência Estado
De São Paulo
Com um aproveitamento pouco superior aos 30% no Campeonato Brasileiro, o Palmeiras atravessa uma fase difícil. Para piorar, os zagueiros titulares vão ficar afastados da equipe por mais um longo tempo. Júnior Baiano foi submetido, ontem pela manhã, a uma cirurgia na patela (rótula) do joelho esquerdo. Cléber sofreu uma fratura no tornozelo esquerdo, mais precisamente na fíbula (perônio) e será operado hoje pela manhã.
‘‘Infelizmente, o Cléber pode ficar fora da decisão do Mundial Interclubes’’, prevê o médico Rubens Sampaio. A previsão de volta é de três meses. O confronto contra o Manchester United será dia 30 de novembro. A cirurgia, confirmada após um novo exame, feito ontem, em São Paulo, fará a fixação da fratura, com a colocação de placa e parafusos no local.
Cléber contundiu-se na derrota por 2 a 0 (gols de Guilherme e Belletti) contra o Atlético-MG, quarta-feira, em Belo Horizonte. Jogou apenas 13 minutos até sofrer uma dura entrada de Belletti. Apesar da gravidade da contusão, Cléber perdoou o adversário. ‘‘Ele já me pediu desculpas e quero esquecer o assunto’’, comentou. Cléber foi levado a um hospital na capital mineira, onde passou por exames e teve o local engessado.
O técnico Luiz Felipe Scolari já lamentava a ausência de Júnior Baiano. Com uma tendinite no joelho esquerdo, ele já estava afastado do time havia algum tempo. Vai ficar mais dois meses e meio sem jogar. A cirurgia de ontem foi responsável pela retirada de um osteófito, segundo o médico palmeirense, e durou 45 minutos. Roque Júnior, outra opção de Scolari para a zaga, está sem contrato.
‘‘Se já estava pedindo um reforço, agora, com a contusão do Cléber, preciso de dois’’, disse o treinador. As previsões não são tão otimistas, porém. ‘‘Onde vou encontrar estes zagueiros é que eu não sei.’’ Scolari, que não queria a contratação de novatos, até mudou de idéia diante das dificuldades do mercado.
Enquanto dias melhores não chegam, Scolari aposta suas fichas em Rivarola e Agnaldo. ‘‘Contra o Atlético-MG, o Agnaldo foi bem apesar de precisar de um melhor condicionamento físico, e o Rivarola fez um boa partida embora não tenha sido nada fabuloso’’, analisou Scolari, tentando amenizar o drama.
Zinho, que prevê uma semana difícil, com muita pressão, até o próximo jogo, contra o Botafogo-SP, quarta-feira, em Ribeirão Preto, assume parte da responsabilidade pelas más apresentações. ‘‘Na frente, temos perdido muitos gols e isso dá intranquilidade para toda a equipe’’, explicou. ‘‘Todo mundo erra, mas a culpa é sempre do Rivarola.’’
Arbitragem, contratações, renovações de contrato, regularização de jogadores recém-chegados, condição do gramado do Parque Antarctica... Luiz Felipe Scolari está farto de se meter em assuntos extracampo sem ter, segundo ele, o mínimo respaldo da diretoria do Palmeiras. ‘‘Para cuidar dessas coisas, nós temos o seu Lapolla (Sebastião Lapolla, diretor de Futebol do Palmeiras) e o Angione (Paulo Angione, diretor de Esportes da Parmalat)’’, disse.
‘‘Assim, o Asprilla vai jogar quando a situação dele estiver regularizada, o Roque vai jogar quando renovarem o contrato dele, o gramado vai ser cuidado pela diretoria e nós vamos discutir a viabilidade da contratação de algum zagueiro’’, acrescentou, demonstrando total insatisfação, nesse novo momento de desgaste com a cúpula palmeirense. ‘‘A partir de agora, eu vou fazer o meu e só poderei ser cobrado pelos resultados; já que o time não está conquistando as vitórias, eu aceito as críticas.’’

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