O Palmeiras considera o primeiro jogo contra o River Plate, hoje, às 21h40, em Buenos Aires, pelas semifinais da Taça Libertadores da América, como decisivo para o time brasileiro chegar às finais e conquistar o inédito título sul-americano. ‘‘Dependendo do resultado no Monumental de Nu¤ez, nós daremos um grande passo ao título’’, projetou, ontem, o técnico Luiz Felipe Scolari, que prevê também uma final contra o Cerro Porte¤o, que hoje enfrenta o Deportivo, em Cali, na outra semifinal. O jogo de volta contra o River será quarta-feira - confirmado, ontem, pela diretoria do Alviverde, para o Palestra Itália.
Entre os palmeirenses, o clima é de motivação e despreocupação com as possíveis hostilidades da torcida argentina. ‘‘A guerra vai ser no campo’’, disse Scolari. ‘‘Do lado de fora, não deve haver problemas.’’ O treinador, que já atuou pelo menos cinco vezes no Monumental de Nu¤ez com o Grêmio tem, inclusive, certa admiração pela torcida rival. ‘‘Eles cantam durante o jogo inteiro; não costumam invadir o campo’’, lembrou. ‘‘Os torcedores brasileiros deveriam seguir o exemplo.’’
Júnior Baiano, artilheiro do time na Libertadores com cinco gols, não promete marcar outros mais, em Buenos Aires. O zagueiro, sempre provocador e cheio de brincadeiras com os adversários, adotou um discurso de seriedade. ‘‘É uma partida decisiva e não dá para prometer nada’’, afirmou Júnior Baiano. Nem mesmo as habituais coreografias foram cogitadas pelo atleta.
O Palmeiras pode ter uma novidade no meio-de-campo. Rogério pode ganhar a vaga de Alex. A alternativa, testada no treino tático de hoje, seria um reforço para a equipe, que atuaria com três volantes. ‘‘É claro que existe uma preocupação do treinador com o sistema defensivo nesta partida’’, comentou Rogério, entusiasmado com a possibilidade de voltar ao time principal.
Alex prefere esperar pela definição oficial de Scolari, momentos antes do jogo. ‘‘Não ficaria abatido se deixar o time porque é opção coerente do treinador’’, disse. Alex aposta que a torcida rival não vai atrapalhar o desempenho dos palmeirenses: ‘‘Contra o Vasco, em São Januário (uma vitória 4 a 2 pelas oitavas-de-final, com dois gols do meia), vivemos uma situação parecida e conseguimos colocar o fator torcida a nosso favor.’’
Antes do treino, Scolari e os médicos do clube reuniram-se com os atletas para orientá-los sobre a necessidade de o time se preparar bem para o confronto com os argentinos e as partidas seguintes, também decisivas - sexta-feira, pela Copa do Brasil, contra o Flamengo, no Palestra Itália; e, domingo, contra a Matonense, em Matão, pelo Campeonato Paulista. ‘‘Explicamos que eles têm de tomar as vitaminas e carboidratos no momento certo e o descanso é fundamental’’, contou o treinador.
O lateral-direito Arce prevê uma batalha hoje em Buenos Aires. Com a experiência de disputar sua sétima Taça Libertadores, um título de campeão, em 1995, com o Grêmio, e duas semifinais, uma pelo Cerro Porte¤o e outra com o time gaúcho, o lateral paraguaio admite que conhece bem o adversário e sua estratégia para tentar vencer a partida. ‘‘A principal arma deles deverá ser a provocação’’, afirmou o jogador do Palmeiras. ‘‘Qualquer time argentino atuando em casa e numa situação como essa, não permite que o outro time jogue’’, afirmou o lateral, que contra o River vai disputar sua 58ª partida na competição sul-americana. ‘‘Eles fazem de tudo para tirar a concentração do adversário.’’
Outra recomendação do lateral é com relação ao juiz paraguaio Ubaldo Aquino. Ele disse que se trata de um bom juiz, mas o problema que o Palmeiras poderá enfrentar nesse aspecto é sobre o critério de arbitragem que o juiz deverá adotar. ‘‘Normalmente muitas das faltas que estamos habituadas a ver um juiz do futebol brasileiro marcar, ele não considera’’, diz. ‘‘Como o argentino usa muito o corpo nas divididas ou o empurrão, como se fosse uma simples trombada, o juiz deixa o jogo correr.’’



River Plate Bonano; Lombardi, Sarabia, Berizzo e Sorín; Escudero (Netto), Astrada, Berti e Gallardo; Saviola e Angel (Castillo). Técnico: Ramón Díaz

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