Rio, 27 (AE) - O técnico Luiz Felipe Scolari disse estar convicto de que o atual time do Palmeiras também é formado por vencedores e afirmou que jamais duvidou da capacidade dos jogadores que permaneceram na equipe após a última temporada ou dos novos contratados. "Precisamos ganhar o título do Rio-São Paulo para consolidar esse grupo", declarou Scolari, admitindo que a imagem do Palmeiras neste início de ano era a do clube que se desfez de seus grandes jogadores e que "estava em derrocada". "Mas não é assim; quem ficou e os que chegaram estão aqui para buscar espaço e vão conseguir."
Scolari elogiou o comportamento do goleiro Marcos e do zagueiro Roque Júnior, que atuaram na vitória por 2 a 1 sobre o Vasco, no sábado, mesmo depois de uma longa viagem de volta da Tailândia, onde estavam com a seleção brasileira. "Esse é o espírito do Palmeiras, o de solidariedade, de garra, de dedicação." Ele reconhece a superioridade técnica do Vasco na decisão do torneio e, por isso, vai exigir da equipe "muita disciplina tática e vontade" na segunda partida, quarta-feira, às 21h40, no Morumbi. "Temos de buscar força para nos igualar ao Vasco."
O Palmeiras garante o título com um empate. Se perder por diferença de um gol, vai decidir a sorte nos pênaltis. O treinador considera a vantagem importante por alguns aspectos e dá um exemplo. "O time entra com mais confiança e, a partir daí
pode ousar, arriscar mais um pouco." Ele destacou a velocidade do Palmeiras "nos momentos certos" do jogo no Rio, como no que resultou no gol de Pena, que surgiu em lance rápido de Euller pela esquerda. Contente com a vitória fora de casa, o técnico disse ainda que o Palmeiras não pode considerar as suspensões de Felipe e Edmundo, no Vasco, com outro trunfo. "Saem dois excelentes jogadores, mas entram o Viola, o Paulo Miranda; isso pode ser até mais perigoso para nós." Expulso por reclamações do banco de reservas pelo árbitro Sálvio Spínola, o técnico reclamou ainda no Maracanã da passividade da arbitragem com relação a algumas jogadas do clássico. Disse, por exemplo, que Romário "cavou" um pênalti e nem foi advertido com cartão e que Odvan cometeu uma falta desleal em Euller e também não recebeu punição.
"Protestei contra isso e acho que o juiz vai ver o que aconteceu pela TV e, se tiver humildade, reconhecerá o erro." Scolari contou que não seguiu para o vestiário assim que foi expulso porque o portão de acesso estava trancado. "Não sou mágico para abrir um cadeado sem a chave."
ASPRILLA - O jogador deve se apresentar amanhã no centro de treinamento do clube e pode atuar na próxima partida. Asprilla estava com a seleção da Colômbia disputando a Copa Ouro
nos Estados Unidos. "Se ele chegar em condições, pode ser utilizado no banco e entrar durante o jogo", disse Scolari.
O meia César Sampaio comemorou o primeiro gol da partida de sábado, lembrando de uma conversa por telefone com sua irmã Cássia, na véspera da viagem para o Rio. "Ela me disse que o Palmeiras venceria e que eu marcaria um gol. César quer saber agora da irmã qual será o resultado e como vai ser seu desempenho no último jogo do Rio-São Paulo. O atacante Pena também estava eufórico por ter deixado sua marca no Maracanã. Ele fez o gol da vitória e vive a expectativa de que a decisão termine empatada, sem gols, o que lhe conferiria uma outra façanha: o de autor do gol do título. Os jogadores do Palmeiras reapresentam-se terça-feira e treinam em dois períodos.

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