Palmeiras e Corinthians têm duelo final
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segunda-feira, 05 de junho de 2000
Agência Folha De São Paulo 
Mais do que duelar por uma vaga na decisão da Taça Libertadores, Palmeiras e Corinthians estarão confrontando hoje no Morumbi rixas pessoais, ressentimentos e rivalidades que extrapolam a simples vontade de vencer.
Para alguns palmeirenses e corintianos, talvez valerá mais o sabor de eliminar o inimigo do que propriamente estar entre os dois melhores times da América. Como venceu na semana passada por 4 a 3, o Corinthians joga pelo empate. Ao Palmeiras, só resta a vitória para tentar o inédito bicampeonato. Se for por um gol de diferença, o classificado será conhecido na cobrança de pênalti. Por dois ou mais gols, o Alviverde vai à final.
Dois são os personagens polarizadores no jogo de hoje. De um lado, o técnico Luiz Felipe Scolari, que pregou raiva de seus atletas ao adversário. De outro, Edílson, autor das embaixadas que provocaram a maior briga da história do clássico no ano passado.
Mas não são apenas Scolari e Edílson que costumam trocar farpas antes e durante os jogos que envolvem os dois mais tradicionais clubes de São Paulo.
O meia Marcelinho, os zagueiros Argel e Adílson, o lateral Júnior e o volante Galeano, embora coadjuvantes, também acirram os ânimos com entradas violentas e frases provocativas. Os times se enfrentaram cinco vezes este ano. Os corintianos venceram três oportunidades, e os palmeirenses, uma. Houve ainda um empate.
Mas a amistosidade transformou-se novamente em animosidade após a palestra que Scolari deu a seus atletas na última quarta-feira, um dia após a derrota por 4 a 3 no primeiro jogo da Libertadores.
Durante a bronca, o técnico exigiu que os jogadores reagissem às provocações do atacante Edílson, que durante a partida acertou um tapa no rosto do lateral-esquerdo Júnior. Ele é malandro, esperto, mas também é covarde e cafajeste. Alguém tinha que ter dado uma porrada, uma cusparada nele, disse o treinador. Inteligente, Scolari queria mexer com seu grupo e também com os rivais.
A diferença de Scolari não se restringe a Edílson. Desde o ano passado, o técnico palmeirense e Oswaldo de Oliveira não se falam. Em programas esportivos de rádio ou TV, um exige a ausência do outro para comparecer.
No Palmeiras, as críticas recaem sobre Edílson. Apontado como principal vilão no episódio que causou o tumulto na decisão do Paulista-99, o jogador é considerado desleal e mau caráter pelos palmeirenses.
Já o meia Marcelinho é acusado de ser hipócrita por vender a imagem de evangélico e entrar com violência nas jogadas.


