São Paulo - Em ano de Libertadores, Copa do Brasil em andamento e às vésperas do novo Campeonato Brasileiro de oito meses, ninguém dá bola para o Paulista, torneio que insiste em sobreviver em época de falência dos Estaduais. Certo?
Errado. A julgar pelas declarações dos técnicos e jogadores de Corinthians e Palmeiras, os dois clubes rivais começam hoje a disputar as semifinais do campeonato ''mais importante do mundo''.
''O jogo é importantíssimo para o presente e o futuro do Palmeiras. Classificar para a final do Paulista em cima de um rival tradicional como o Corinthians é a chave para o resgate da autoconfiança da equipe para a longa temporada que vem aí'', diz o técnico palmeirense Jair Picerni, já projetando a influência do resultado do confronto com o arqui-rival para o desempenho do time na segunda divisão do campeonato nacional.
''O clássico contra o Palmeiras pode determinar a nossa classificação na Libertadores'', aponta, do outro lado, o técnico Geninho.
Segundo ele, ''a dimensão da cobrança em um jogo com o Palmeiras é muito maior''.
A importância da série (o jogo de volta é sábado) que definirá um dos finalistas do Paulista extrapola o torneio estadual também para os atletas.
''Palmeiras e Corinthians é complicado até quando é amistoso. A vitória, principalmente numa fase decisiva, rende frutos por muito tempo'', acredita o meia palmeirense Zinho, que atribui ao clássico o momento mais tenso de sua carreira ao bater o pênalti que colocou o Palmeiras nas semifinais da Libertadores-1999.
''Traz confiança à equipe, paz à torcida e embalo para as partidas seguintes. E o que o Palmeiras anda precisando, com um elenco bom como esse, é de confiança. Foi o que faltou no ano passado'', completa o atleta, referindo-se à equipe que foi rebaixada de divisão no Brasileiro-2002.
O meia Jorge Wágner, que jamais disputou um Palmeiras x Corinthians, já entrou no clima que envolve a partida. E prevê dias negros no Parque São Jorge caso o time não supere o arqui-rival nas semifinais do Estadual.
''Caso a gente tropece, isso pode abater muito o grupo na Libertadores. Por isso, está todo mundo querendo ganhar o Paulista também'', disse o jogador.
Outros, mais experientes no duelo, como o zagueiro Fábio Luciano, até ensaiaram o discurso. Afinal, com o Palmeiras pela frente, tudo pode ocorrer, acredita.
''É um clássico especial. Por isso, não vamos abrir mão do Paulista de forma alguma'', declarou o capitão corintiano.

mockup