Palmeiras e Botafogo vão para o tudo ou nada
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quinta-feira, 05 de dezembro de 2002
Agência Estado 
Rio de Janeiro - Nunca a ''virada de mesa'' esteve tão iminente. Depois de usarem e abusarem da demagogia, dizendo contrários a qualquer alternativa, cartolas de Botafogo e Palmeiras resolveram ir para o ''tudo ou nada'' na tentativa de fazer com que seus clubes não arquem com o constrangimento e prejuízos financeiros relacionados à disputa da Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. Ambos foram rebaixados, ao lado de Portuguesa e Gama.
O presidente do Botafogo, Mauro Ney Palmeiro, confirmou a intenção do clube de lutar fora de campo pela virada. Para isso, já conta com o apoio do Palmeiras na ação popular que será movida possivelmente na próxima semana, no Rio, reivindicando participação dos dois clubes na mesma competição para a qual Fluminense e Bahia estão garantidos. A alegação é a de direito de igualdade.
Palmeiro explicou que Flumnense e Bahia ganharam vaga na elite graças aos tribunais. ''Estavam na Segundona em 1999 (os cariocas haviam conquistado o título da Terceira Divisão), foram convidados para a Copa João Havelange, que não era o Campeonato Brasileiro, e no ano seguinte subiram do nada'', afirmou o atual presidente do Botafogo, que deixará o cargo em 1º de janeiro para a posse de Bebeto de Freitas.
O cartola botafoguense confirmou que conversou longamente na terça-feira com o presidente do Palmeiras, Mustafá Contursi, e disse que a idéia da ação agradou ao colega. ''Ele (Contursi) demonstrou bastante interesse e está inteiramente de acordo.''
A ação, na verdade, será impetrada por associados de Botafogo e Palmeiras, na área civil pública. Um dos nomes mais fortes do grupo é o do presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, ex-presidente do Botafogo e ''braço direito'' de Bebeto de Freitas. Outro nome forte nessa lista é o do advogado Francisco Mussnich, cotado para ser diretor-jurídico do clube, a partir de janeiro. Na terça-feira, Mussnich chegou a afirmar que o ''Botafogo não jogaria a Segunda Divisão nem por um decreto''.
Arrancada Montenegro confirmou ontem que vai encabeçar o movimento. Explicou que, juntamente com outros sócios, vai entrar na Justiça com várias ações exigindo que Bahia e Fluminense também disputem a Série B do Nacional.
A costura da virada de mesa tem até um tom ameaçador. O atual presidente do Botafogo disse que, de posse de liminar, não haverá tabela, regulamento e nenhuma reunião do Conselho Técnico para definir o próximo Brasileiro ''se Botafogo e Palmeiras não forem incluídos na Primeira Divisão''. O conselho tem data marcada para se reunir: dia 17 de dezembro. Por isso, a pressa dos ''rebeldes'' em entrar logo na Justiça.
Quanto à ameaça do presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Luiz Zveiter, de suspender os dois clubes e até impedir a realização do Brasileiro, se a ação for levada adiante, Palmeiro desdenhou. ''O doutor Zveiter é um desembargador, sabe que isso é um problema da Fifa e não dele. Ele não está acima da lei e vai ter que acatar o que a Justiça determinar.''
Mesmo aborrecidos por não terem sido convidados para discutir a ''virada'', cartolas da Portuguesa manifestaram-se ontem favoráveis à ação. ''Se houve no passado, por que não vai haver agora?'' perguntou o vice-presidente de Futebol, Jerônimo Gomes.


