São Paulo - Ao entrar na Academia de Futebol, o ar poluído das ruas de São Paulo se mistura com o clima de terror que já contagiou jogadores, diretoria e comissão técnica no Palmeiras. O receio de ver o time na Série B só não é maior do que o da reação da torcida em caso de rebaixamento. Para evitar conflitos, uma espécie de cartilha foi criada pela segurança do clube para evitar mais confusões.
O diretor de sede e responsável pela segurança dos atletas, Faustino Caputo, contou que algumas recomendações foram feitas aos atletas e espera que elas estejam sendo seguidas à risca. "Foi avisado que não é para os jogadores andarem sozinhos na rua, seja lá onde estiverem. Não é para ir em nenhum tipo de evento que não seja organizado pelo clube e balada, nem pensar!", disse o dirigente. "É só do CT para casa. Não dá para brincar essa hora. É a integridade das pessoas em jogo", completou.
Na madrugada da última segunda-feira, um grupo de torcedores pichou o muro da sede social e da loja oficial do clube fazendo ameaças de morte ao presidente Arnaldo Tirone. Em seguida, jogaram bombas de coquetel molotov no estacionamento da Academia de Futebol.
Para o jogo de domingo contra o Fluminense, em Presidente Prudente, que pode decretar o rebaixamento, o Palmeiras arma um esquema de guerra. Um grupo de 14 seguranças vai viajar com a delegação. Quando chegar ao interior, eles serão recebidos por mais uma dezena de seguranças contratados para trabalhar com a equipe até domingo à noite, quando acontece o retorno para São Paulo.
O presidente Arnaldo Tirone e o vice-presidente Roberto Frizzo também terão atenção especial e a segurança de ambos já é reforçada, principalmente em dias de jogos fora de casa. O gerente de futebol do clube, César Sampaio, explicou que foi aumentada a estrutura de segurança do clube nos últimos dias por uma prevenção.
"Antigamente viajávamos com quatro seguranças, mas agora estamos com bem mais, praticamente triplicamos, pois tememos pela nossa integridade física e pela dos jogadores. E tudo isso aliado ao efetivo policial local", explicou César Sampaio.
Mesmo com tanta proteção, alguns jogadores estão com medo. Artur, Juninho, Leandro, Thiago Heleno e Maikon Leite contrataram seguranças particulares para quando não estão no clube. Alguns atletas admitem estarem mais assustados e já chegaram a pedir para o técnico Gilson Kleina não relacioná-los mais para os jogos.
"Cada um reage de uma maneira na crise, mas se o jogador está sendo ameaçado, não tem como ele tirar isso da cabeça em campo. Ele fica com receio de errar um passe e alguém tentar agredi-lo", lamentou Gilson Kleina, que consegue ser um dos poucos poupados pela torcida palmeirense - Marcos Assunção, Barcos e Henrique são os outros que não correm perigo de reação dos torcedores.

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