Palmeiras começa a viver em função da final em Tóquio
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sexta-feira, 12 de novembro de 1999
Por Valéria Zukeran 
São Paulo, 12 (AE) - Os integrantes do departamento médico do Palmeiras já elaboraram tudo o que será feito pelo time para solucionar um dos maiores problemas enfrentados pelos times do País que disputam o título mundial de clubes, a Copa Toyota: o fuso-horário de onze horas entre Brasil e Japão. Segundo o médico fisiologista do Palmeiras, Paulo Zogaib, os jogadores começarão as atividades em horário japonês assim que entrarem no avião rumo à Tóquio, na madrugada do dia 22.
O fisiologista explica que o fato dos atletas treinarem em dois períodos e jogarem à noite deve facilitar a adaptação e vai diminuir as dificuldades do grupo. Os jogadores entrarão em campo contra o Manchester às 6h30, horário de Brasília.
"Quando o time disputava partidas às 11 horas da manhã no Campeonato Paulista, fizemos um estudo para avaliar a produção de dois hormônios: a testosterona e cortisol", conta Zogaib. O departamento médico já sabe quem são os jogadores que biologicamente rendem mais pela manhã, mas mantém a informação sob sigilo. "O importante é ressaltar que nenhum dos jogadores tem capacidade ou incapacidade de adaptação fora do normal."
Zogaib diz não ser possível fazer algum trabalho de adaptação antes do dia 22, porque o Palmeiras tem um jogo dia 18 pela Copa Mercosul. Os jogadores embarcam para o Japão à 1h30, horário de Brasília, com escala em Los Angeles. "Mas quando entrarmos no avião já iremos considerar o horário japonês, 12h30", conta Zogaib.
Contando com a colaboração da tripulação, os jogadores terão as refeições servidas conforme no horário de Tóquio. O lanche da tarde, por exemplo será servido às 2h30 da manhã do Brasil.
"Vamos fazer com que os jogadores fiquem acordados até as 23 horas e depois induziremos o sono para que eles se adaptem ao novo horário", explica o fisiologista. As dificuldades com o fuso, segundo ele, podem provocar dores de cabeça, tonturas, disfunções intestinais além de perda parcial e temporária da coordenação motora nos primeiros dias. O problema é resolvido quando os jogadores passam a produzir as secreções hormonais no horário certo, adaptando o metabolismo. O desafio do fisiologista e fazer com que o tempo de adaptação seja o menor possível.
Além das substâncias para induzir o sono dos jogadores no avião, o único medicamento a ser usado pelos médicos será a melatonina. "Quanto à alimentação, iremos mexer pouco na composição, apenas estaremos mais preocupados em escolher alimentos de digestão mais fácil." Outra preocupação do fisiologista será com a perda de líquidos, comum em viagens aéreas. Os jogadores serão orientados a repor as perdas durante a viagem.


