Agência Folha
Do Rio de Janeiro
A mando do técnico Luiz Felipe Scolari, os jogadores do Palmeiras decidiram adotar a cautela até a decisão do Torneio Rio-São Paulo, quarta-feira, no Morumbi, contra o Vasco. Os jogadores mantiveram o mesmo discurso de Scolari em relação ao jogo final. Nem mesmo a vitória diante do time carioca, por 2 a 1, no Maracanã, sábado, fez os jogadores comemorarem antecipadamente a conquista do título.
‘‘Para conseguirmos o título, vamos ter que jogar muito. O Vasco é melhor tecnicamente. Somente com muita disciplina tática e organização, como aconteceu no Maracanã, o Palmeiras vai conquistar o torneio’’, afirmou Scolari.
Os jogadores acompanharam o treinador. ‘‘Demos um grande passo, mas o caminho é longo. Ainda não ganhamos nada. Vai ser um jogo equilibrado em São Paulo. A única diferença será que a torcida, desta vez, estará ao nosso favor’’, disse o volante César Sampaio, autor do primeiro gol do Palmeiras no Maracanã.
O zagueiro Argel também não mudou o discurso ensaiado por Scolari. ‘‘Agora, o importante vai ser manter o empenho. Não podemos ficar satisfeitos, só vamos poder comemorar o título depois do encerramento do jogo na quarta-feira’’, disse Argel.
‘‘A vitória foi boa, mas temos que ter o mesmo intuito para conquistarmos o título’’, acrescentou o atacante Euller, mais um dos jogadores que fez coro com o treinador.
O discurso unificado mostra a ‘‘sintonia’’ entre Scolari e os jogadores do Palmeiras. No ano passado, o treinador teve dificuldade para administrar o elenco de ‘‘estrelas’’ bancado pela Parmalat, parceira do clube. Com a decisão da empresa de não investir alto no futebol do clube, Scolari está sendo obrigado a trabalhar com um grupo limitado.
No início da competição, o Palmeiras era apontado como um dos prováveis times a fracassar na temporada 2000.
Apesar de cauteloso, o treinador não vai mudar o time para a partida de quarta-feira. ‘‘Se ninguém se machucar até lá, o time será o mesmo’’, disse Scolari.
Depois de defender a seleção colombiana na Copa Ouro, disputada nos Estados Unidos, o atacante Asprilla se reapresenta hoje ao Palmeiras.
Lopes na corda bamba – Depois de ser chamado de burro pelos torcedores no Maracanã, sábado, o técnico Antônio Lopes poderá ser o primeiro a perder o emprego no time carioca, caso o Vasco fracasse contra o Palmeiras, na quarta-feira.
O treinador também está sendo contestado pelos próprios jogadores. Na véspera da primeira partida da decisão do torneio, o lateral-esquerdo Felipe foi o primeiro a criticar o treinador. Ele disse que não trabalharia mais com o técnico.
Na quarta-feira, o jogador foi suspenso por dez dias pela diretoria do clube após discutir com Lopes no vestiário de São Januário no intervalo da partida contra o São Paulo, pela semifinal da competição. Felipe não aceitou ser substituído pelo treinador.
Logo após a derrota para o Palmeiras, por 2 a 1, o meia Juninho também não escondeu o seu descontentamento com o time. ‘‘Estou cansado de perder para a gente mesmo’’, disse Juninho. O meia não escondeu o descontentamento pelas suspensões impostas pela diretoria a Felipe e Edmundo.
‘‘Temos que ter calma. Não falo sobre isso’’, disse o vice-presidente de futebol do clube carioca, Eurico Miranda, quando questionado sobre a saída do treinador.
Lopes voltou a comandar o time há cerca de duas semanas. Ele entrou de férias após o Vasco ter perdido o 1º Mundial de Clubes da Fifa, em janeiro.
Apesar de Miranda evitar falar sobre a demissão do treinador, a diretoria do Vasco tentou afastá-lo após a perda do Mundial. Os dirigentes ofereceram o cargo de coordenador de futebol do clube ao técnico. Pelo projeto, um novo treinador comandaria o time no campo. Carlos Alberto Parreira, ex-técnico da Seleção Brasileira, está cotado para substituí-lo.

NO MARACANÃ
Vasco 1
Hélton; Jorginho (Juninho), Odvan, Mauro Galvão e Gilberto; Amaral, Válber (Dedé), Paulo Miranda e Alex Oliveira (Pedrinho); Viola e Romário. Técnico Antônio Lopes
Palmeiras 2
Marcos; Rogério, Argel, Roque Júnior e Júnior; César Sampaio, Galeano, Pena (Juliano) e Alex (Tiago); Euller e Basílio (Arce). Técnico Luiz Felipe Scolari
Árbitro: Sálvio Spínola (SP)
Estádio: Maracanã, no Rio
Renda e público: não foram divulgados
Gols: César Sampaio aos 25 e Romário aos 32 do 1º. Pena aos 23 do 2º

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