Palcos do Pan do Rio estão às moscas
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sábado, 15 de março de 2008
Leonardo Maia<br> Agência Estado 
Rio - Oito meses depois do fim do Pan-Americano do Rio, muita das instalações construídas para os Jogos - mas com a promessa de serem bem aproveitadas em projetos esportivos e sociais -, estão praticamente às moscas. Exemplo disso são o Parque Aquático Maria Lenk e o Velódromo. E a pista de atletismo do Estádio João Havelange, considerada das mais modernas das Américas, não foi mais utilizada. Nessas três praças foram torrados boa parte dos cerca de R$ 4 bilhões gasto para realizar o Pan.
O caso mais evidente é o do Maria Lenk. Estrutura de ponta, com piscinas cujas bombas trabalham 24 horas por dia processando 8,750 milhões de litros de água, o parque aquático tem custo mensal de R$ 360 mil e pouco apelo financeiro para a iniciativa privada. Hoje, vive quase abandonado.
''Tínhamos um projeto de utilizar o Maria Lenk como o centro nacional da natação do País, a cargo da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, que se disse sem condições de tocar o projeto'', contou Gustavo Cintra, secretário de Esporte e Lazer da prefeitura do Rio.
A prefeitura, então, decidiu realizar uma concessão e procurou os grandes clubes de futebol do Rio. O Fluminense se interessou, assim como o Comitê Olímpico Brasileiro (COB). ''O ideal seria o COB administrar o Maria Lenk. Assim, não ficaria a cargo de uma instituição privada e todos teriam acesso'', admitiu Gustavo Cintra.
O processo de concessão começou na última terça-feira e cederá a instalação por 20 anos. O vencedor não terá que pagar nada ao município, precisando apenas arcar com os pesados custos. Enquanto isso, o Maria Lenk fica parado. A única competição prevista para o local está marcada para maio.
O Velódromo da Barra custa à prefeitura carioca R$ 80 mil mensais. Porém, é pouco explorado, apesar dos esforços do pessoal ligado ao ciclismo. Davi Romeo, esperança brasileira por uma vaga nos Jogos Olímpicos de Pequim, por exemplo, treina lá com seu pai e técnico da seleção brasileira, Adir Romeo.
''Estamos agindo. Mobilizamos a comunidade do ciclismo e organizando oficinas para capacitar árbitros e competições regionais, além de visitar as vilas olímpicas e introduzir o ciclismo em suas atividades'', disse Adir Romeo. ''Mas o início é demorado. Precisamos criar a estrutura.'' Até lá, o Velódromo ficará subutilizado. Até porque, por hora, sequer há planos de cedê-lo em concessão.


