Palco da estréia
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segunda-feira, 12 de junho de 2006
Pedro Motta Gueiros<br> Agência O Globo 
Berlim - Entre pedras e colunas ancestrais, a cadeira número um da fila R, ocupada por Hitler nos Jogos de 1936, ainda está lá no Estádio Olímpico de Berlim, onde o Brasil estréia na Copa do Mundo, hoje, às 16 horas, contra a Croácia. Apesar da sofrida lembrança, que entra ali é tomado pelo mais leve espírito esportivo. Na arena armada para afirmar a supremacia da raça ariana, Jesse Owens conquistou quatro medalhas de ouro.
Negro como o lendário americano, Adriano também se especializou em superar barreiras. Já venceu a miséria, a ameaça do tráfico e todas as principais competições que disputou até hoje pela seleção brasileira. Falta triunfar aos olhos do mundo, em sua primeira Copa.
Apesar do apreço pelo jogo coletivo, Adriano traz um significado especial para Parreira. Além de carregar nas costas o número de sorte do treinador, o camisa sete mexeu no destino da seleção.
Para encontrar um lugar para o então artilheiro da Copa América, sem fazê-lo disputar posição com Ronaldo, Parreira encontrou a formação do quarteto ofensivo. O esquema e Adriano se saíram bem na conquista da Copa das Confederações, da qual ele também foi o goleador. Mesmo assim, ainda se põe em dúvida a sua eficácia.
Para quem ainda prega a supremacia da força defensiva sobre o talento, o Estádio Olímpico é o primeiro e último limite. Como o time que começa a Copa geralmente não é aquele que termina, Ronaldo, Adriano, Kaká e Ronaldinho Gaúcho precisam provar que podem estar novamente juntos naquele que também será palco da final. ''Estou disposto a recuar mais e voltar para ajudar o meio-campo para que o Ronaldo possa ficar mais perto do gol'', disse Adriano, durante a preparação ainda em Frankfurt.
Kaká deu provas ainda maiores de seu amadurecimento. Nos últimos amistosos, foi o melhor jogador do time, individual e coletivamente. Assim como o quarteto, o apoiador precisa confirmar sua eficácia numa Copa do Mundo. Na conquista do penta, em 2002, ele entrou por apenas poucos minutos. ''Vir de trás com a bola e voltar rápido sempre que a gente é desarmado são minhas duas responsabilidades do esquema'', disse Kaká.
O espírito é de colaboração. Além de fazer gols, Ronaldo assume a missão de marcar. ''O sacrifício tem que ser de todos. Quem estiver mais perto da bola na jogada tem que ser o primeiro a voltar''.
Ronaldinho Gaúcho não perde o sorriso nem quando é obrigado a jogar de maneira diferente a que está acostumado no Barcelona. ''Temos que nos acostumar rápido. É preciso se esforçar um pouco mais. Precisamos estar com fôlego em dia para suportar a correria'', disse o craque.
A satisfação precisa aumentar como o entrosamento do esquema nos sete jogos até a final. O sonho da volta triunfal ao ponto de partida é inspirada pela lenda de Jesse Owens. Ver Kaká, Ronaldo, Ronaldinho e Adriano com quatro medalhas no peito, repete o feito histórico. De forma restaurada e bela como o atual Estádio Olímpico.


