Ed Carlos Rocha
De Curitiba
O técnico Márcio Araújo assumiu ontem oficialmente o Coritiba sem fugir ao seu principal estilo: o de tentar fazer cada jogador acreditar que pode sempre melhorar. Esse foi o tom da entrevista coletiva que concedeu à imprensa na sua apresentação e o da conversa que teve com os atletas pouco antes de comandar o primeiro treinamento. ‘‘Temos que buscar a harmonia entre o trabalho tático e o lado humano do atleta, que pode se superar sempre’’, disse o treinador.
Araújo, que assinou contrato até 21 de dezembro, afirmou que a responsabilidade de substituir o técnico Abel Braga, por quem a torcida tinha muita empatia, e a pressão da própria torcida por vitórias não o assusta. ‘‘Sei que a identificação dos torcedores com o Abel era muito grande e que a expectativa de todos ligados ao Coritiba com uma boa campanha também é grande. Mas isto não me preocupa porque sou movido por responsabilidade. Vamos reverter a situação difícil.’’
O treinador ainda não quis falar sobre reforços. Segundo ele, durante os próximos dias será feita uma avaliação mais criteriosa do grupo. ‘‘Aí então iremos decidir sobre dispensas ou contratações. Mas a princípio acredito que o grupo será esse mesmo, até porque não há bons jogadores disponíveis no mercado.’’
Araújo comandou um treino tático ontem à tarde no Couto Pereira, mas ainda não falou sobre o possível time para a partida de sábado contra o Botafogo (RJ), no próprio Couto Pereira.
Os jogadores aprovaram a contratação de Araújo e apostam que a motivação daqui para frente será maior. ‘‘Gostávamos muito do Abel, mas ele já não conseguia dar muita motivação. Sempre que um treinador chega os jogadores rendem mais’’, avalia o meia Mozart.
Ontem o presidente João Jacob Mehl também deu entrevista à imprensa. Ele disse que havia renunciado logo após a derrota para o Guarani porque estava se sentido fraco no comando do clube. Jacob queria a saída de Abel três rodadas antes da derrota para o Bugre, com o que os demais membros da diretoria não concordaram.
No entanto, segundo Jacob, a volta dele ao clube não teve a ver com a saída de Abel. ‘‘Voltei porque os amigos e os demais diretores do Coritiba pediram’’. Jacob disse também que a partir de agora vai voltar a comandar o futebol do clube. De acordo com ele, houve erro de avaliação do Departamento de Futebol em não insistir na busca de reforços. ‘‘A diretoria deixou claro que não tinha dinheiro, mas se o Departamento de Futebol pedisse o Coritiba teria contratado.’’
Quem pode voltar a jogar no alviverde é o zagueiro Gralak, que já vem treinando no clube. O passe dele ainda pertence ao Istambul, da Turquia, time que abandonou por não receber os salários. A questão foi parar na FIFA, que autorizou o atleta a assinar contrato com outro clube.

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