Palavra de fé entre atletas ajuda despertar humildade
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sábado, 16 de maio de 2009
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
Humildade é a ferramenta essencial para se tornar um atleta completo. No entanto, poucos se preocupam em controlar o egoísmo, fato que pode se refletir de maneira negativa no rendimento da equipe. Para tentar minimizar tais efeitos, o professor de educação física, Hélio Sanches Júnior passou a desenvolver um trabalho onde relaciona esporte e religião. O intuito é sensibilizar as atletas de futsal da Unopar sobre a importância da harmonia da equipe.
''A humildade é um assunto delicado entre os atletas, que têm uma certa soberba por conta da visibilidade na mídia. Acontece em todas as modalidades, mas no futebol é mais acentuado'', acredita Sanches Jr. Como o futsal não está livre deste percalço, normalmente realiza leituras de salmos bíblicos, como por exemplo os provérbios de Salomão, para amenizar os efeitos externos sobre o rendimento das jogadoras. ''Costumo ler um que diz que a humildade precede a honra e a soberba precede a ruína. Então, não tem como ser honrado, glorificado, exaltado pelo público se você não for humilde antes'', afirma.
Ainda conforme sua reflexão, Sanches Jr acredita que a humildade dentro do futsal, especialmente por ser coletivo, é um forte exemplo de como servir ao próximo. Muitas vezes falta companheirismo na hora de uma partida decisiva, que por conta da pressão o atleta acaba querendo resolver tudo sozinho, mas nem sempre acaba rendendo o melhor para o conjunto. ''Na hora de um jogo quando se precisa daquele algo mais, da entrega, da submissão, isso vai faltar e é onde muitas vezes se perde o jogo ou o título da competição'', ressalta.
Mas Sanches Jr alerta para um detalhe que é a dificuldade do convívio em grupo. Conforme exemplifica, duas pessoas já apresentam diferenças quanto a educação ou visão de mundo: ''imagine isso em um grupo de atletas'', complementa. Para amenizar os efeitos de uma sobrecarga de ego, suas preleções costumam mostrar, quando diante de cortes nas escalações para torneios ou demais partidas, que ter um lugar no time já é um privilégio. ''Imagine quantas atletas não gostariam de estar aqui e quantas não se espelham em vocês'', exemplifica sobre seus conselhos.
O trabalho é desenvolvido desde 2005 e Sanches Jr avalia como ''bons'' os resultados obtidos até agora mesmo passando por diversos percalços. Ele ressalta que a experiência passa a ter efeito a partir do momento que elas entendem que o objetivo é melhorar não só a performance, mas também a vida pessoal interior. ''Na hora de expressar sua condição física estará menos ansiosa e melhor emocionalmente. Aquelas situações que levam a uma determinada compulsão serão minimizadas e as preleções agem principalmente sobre esta realidade'', arremata.


