Paizão desagregador
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segunda-feira, 29 de julho de 2002
Claudio Osti 
O técnico Luiz Felipe Scolari, um ex-zagueiro sem qualquer jogo de cintura, tem o dom de manter em seu comportamento de técnico premiado, palavras no mesmo estilo brutalizado adquirido nos gramados. É a grossura em pessoa. Não poupa, não acaricia e devolve com juros as botinadas da vida.
Parte de toda a polêmica levantada por ele pode ser atribuída à imprensa esportiva. Os jornalistas provocam, cutucam, irritam, até obterem as respostas que todos estão cansados de saber mas que só ganham repercussão quando ditas pelo ex-zagueirão. E ele não se faz de rogado. Reclamou de Pelé e chegou a dizer que ele nada entende de futebol. Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, como qualquer brasileiro normal, não via a seleção como um time de chegada. E sim como um amontoado de jogadores de qualidade, mas com poucas chances de ir à final. É lógico que Pelé poderia ter sido mais, digamos, elegante com seu País, mais verde-amarelo. Acreditando como um torcedor que sempre tem fé. Mas Pelé, rei do futebol e rei da média fora do Brasil, elogia o Japão para os japoneses, a Coréia para os coreanos, o Senegal para os senegaleses. Já na terrinha quer dar opiniões e se tem alguma coisa no Brasil que não há consenso é opinião sobre futebol.
Felipão também falou de Ronaldinho. Nenhuma vírgula a mais do que todos já sabem. Disse que ele, depois dos problemas que passou, não é o mesmo. Nem poderia, depois das cirurgias no joelho. Disse que o jogador é mimado. Como não poderia ser? Ronaldo vale milhões de dólares. Não é um jogador comum, é um investimento de risco. Como representa tanto dinheiro, as empresas que o patrocinam, que o contratam e exploram sua imagem, cuidam dele como se cuidaria da galinha de ovos de ouro.
A continuar sendo provocado, a continuar respondendo de bico, o paizão vai entrar para a história por desagregar a família que ganhou o título de pentacampeão e que ele mesmo tanto lutou para unir.
- Ao entrar em campo hoje contra o Juventude, de Caxias do Sul, o Londrina fará seu primeiro teste para avaliar sua força. Termina a fase de comer gelatina e começa a de roer a rapadura.
- Muitos palmeirenses estavam felizes ontem. Apesar da derrota para o Paysandu e a consequente saída da Copa dos Campeões, a alegria era pelo placar: 3 a 1. Pelo que jogou o Paysandu, pelos gols que o time perdeu, o resultado saiu quase de graça para o sempre polêmico Vanderlei Luxemburgo.
- Com as honrosas exceções de Marcos e Arce, o Verdão vai ter que melhorar muito se quiser fazer um papel decente no Campeonato Brasileiro.


