O futebol pode conseguir um feito nem mesmo alcançado pela política, em um país que não está disputando a Copa do Mundo: o Haiti. Nos últimos dias, só se fala em França, Brasil e Ronaldinho, fato que está criando uma união nunca vista entre os habitantes. Até mesmo a renúncia do primeiro-ministro Rosny Smarth, que dividiu o país, foi esquecida. ‘‘No Haiti, somos todos brasileiros’’, disse Stanley, um jovem taxista, cujo carro está totalmente enfeitado em verde e amarelo.
A crise governamental, realmente, perdeu espaço. ‘‘Estamos todos unidos em torno da Seleção Brasileira’’, comentou Colson Dorme, secretário do Sindicato Nacional dos Trabalhadores na Imprensa Haitiana. A paixão pelo futebol brasileiro pode ser constatada em qualquer rua do Haiti.
Na abertura da Copa do Mundo, por exemplo, a sede de um banco mais parecia um estádio de futebol. Funcionários, clientes e até ‘penetras’ deixaram de lado suas obrigações diárias para assistir pela TV Brasil x Escócia. Foram 90 minutos de caretas, gritos e abraços. No final, os haitianos não tiveram dúvidas: saíram às ruas com bandeiras brasileiras, gritando ‘‘ganhamos, ganhamos’’.
Nem os radialistas escondem sua paixão. ‘‘Ganhamos e isso é o principal, embora nosso time não esteja na sua melhor forma’’, disse um deles.
O ministro da Educação do Haiti, Jacques Edouard Alexis, confessou que a Copa influi nos preparativos dos exames escolares, marcados para julho. ‘‘Somos apaixonados pela Seleção Brasileira. Mas temos que preparar os questionários. O pior é que ninguém se concentra no trabalho ou no estudo.’’

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