Paixão japonesa em Londrina
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sábado, 06 de setembro de 2003
Claudio Yuge<br> Reportagem Local 
Não é preciso mais que uma volta no quarteirão no centro de Londrina para encontrar alguém de olhinhos puxados. Assim como a maior parte da região Norte do Paraná, principalmente em Maringá e Assaí, a colônia japonesa é muito grande devido à intensa imigração que aconteceu após a Segunda Guerra Mundial. Inevitável, essa grande concentração de orientais não só acaba absorvendo o jeitinho brasileiro de viver como também influencia a comunidade tupiniquim.
E uma das maiores paixões dos japoneses não poderiam ficar de fora desse intercâmbio cultural. Assim como muitas vezes a palavra futebol se funde ao povo brasileiro, os japoneses também têm uma modalidade esportiva que representa sua história e tradição. O sumô é no Japão campeão absoluto de audiência e também tem espaço garantido em Londrina.
A cidade é, no Paraná, o principal pólo da modalidade devido aos bons resultados conseguidos em competições nacionais e internacionais. Ted Vitor Barbirato, terceiro colocado no último mundial, e Roberto Fugo, que conquistou o vice-campeonato mundial em 2000 e 2001, são prova da força local nesse esporte. Os atletas representam a Associação Londrinense de Sumô, que funciona na Central Rubiácea, próxima à Ceasa, na saída para Ibiporã.
Os lutadores dizem que, ainda que bastante popular no Japão, o sumô é ainda um pouco desconhecido em Londrina, mas o interesse tem aumentado. ''Muita gente vem procurar o sumô por curiosidade ou porque já pratica outras lutas. Muitos judocas vêm aqui porque a base do esporte é o mesmo'', explicam.
O sumô pode ser praticado tanto por homens quanto por mulheres e os combates são individuais, dentro do dojo. As lutas têm limite de tempo máximo de três minutos e perde quem tocar qualquer outra parte que não os pés no chão ou quem sair do círculo de combate. As pernas só podem ser utilizadas como alavancas e não são permitidos golpes com as mãos fechadas.
De acordo com Bruno Rogério Pacol, 18 anos, vice-campeão paranaense, o sumô não precisa necessariamente que a pessoa fique obesa, como acontece bastante no Japão. ''Quem tem mais massa corporal leva vantagem mas muito parte da técnica, da resistência e da força nas pernas'', diz o lutador, que tem 1,70m e 66 quilos. Ele pratica sumô há seis anos e também diz que, com o tempo, os lutadores acabam tendo que se habituar com a cultura japonesa. ''Temos que aprender a falar algumas palavras e também a gostar de comida japonesa, que é só o que tem nos campeonatos. Na primeira vez levei pão com mortadela mas depois me acostumei ao bentô'', lembra.
Assim como Pacol, a maioria dos lutadores de Londrina não são descendentes de japoneses. De acordo com os atletas, não há problemas com relação à comunidade japonesa, que costuma ser bastante fechada, mas afirmam ter sofrido preconceito em campeonatos. ''Quando lutamos contra uma equipe formada por nihonjins existe bastante rivalidade, pois todos querem ver um nihonjin campeão e não um brasileiro que não é descendente.''
Mesmo assim, os atletas não desanimam, principalmente porque são apoiados pelos pais. Segundo eles, a única coisa que mais atrapalha é a falta de incentivo para a modalidade. ''No Japão os lutadores são astros e chegam a levar 100 mil pessoas para os ginásios. Os mais fraquinhos chegam a ganhar dez mil dólares por mês e os mais fortes ganham milhões. Mas aqui não há investimento no sumô e acabamos tendo que competir com 'paitrocínio'.''


