Paixão dividida
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sábado, 09 de agosto de 2014
Rafael Souza<br> Reportagem Local 
Inspiração é o que nunca falta para o ciclista Sandro Marcelo Rocha Júnior, de Londrina. Em todos os treinos, ela anda bem ao seu lado e atende por um nome bem comum: Sandro Marcelo Rocha, seu pai. Foi dele que o jovem ciclista herdou a paixão pelo esporte das bikes velozes. E a quem Marcelinho, como é chamado pelos amigos, deve praticamente tudo o que tem aprendido na modalidade.
O ciclismo tem uma importância grande na vida dos dois. Hoje, Júnior desponta como um dos bons atletas da equipe do Clube do Ciclismo de Londrina (CLC), que é treinada justamente pelo pai, o que ajudou a aproximá-los ainda mais. E é exatamente por conta dessa parceria com o filho que o pai segue motivado a treinar e também competir.
A paixão de Marcelinho pelo ciclismo é tão grande que é fácil acreditar que é mesmo uma coisa de sangue. Aos cinco anos de idade, o menino via o pai sair para treinar e já se encantava. "Eu ficava com muita vontade de ir", relembra.
Nascia ali uma parceria que só se fortaleceu com o tempo. Juntos, eles parecem dois meninos. Basta alguns minutos de conversa para ver que a dupla se entende muito bem. Pai e filho dividem as mesmas gírias, brincam, mas sem deixar o respeito de lado. Relação que eles garantem ter construído com o esporte. "A vida da gente é uma correria. E quando saímos para treinar, são quatro horas juntos. É o tempo em que a gente conversa, ele me conta o que está acontecendo na vida dele. E isso é muito bom", ressalta o pai. Para o garoto, é o máximo ter o pai como professor, lhe ensinando tudo. "É a melhor coisa que aconteceu, me divirto muito. Saber que ele está sempre do meu lado me dá mais confiança", diz Marcelinho.
A única parte ruim da história é saber separar as funções. "O fato de ser técnico e pai, às vezes, é complicado. Pela imaturidade, natural de um menino de 14 anos, é difícil saber separar as coisas, mas de maneira geral, é excelente", conta. "Para um pai, ver o filho seguir a mesma paixão é gratificante demais", completa.
Com a ajuda do pai, o garoto começa a colher os primeiros bons resultados. Neste ano, ele foi terceiro colocado na prova dos 500 metros na pista, no Campeonato Brasileiro, e também já está classificado para as Jogos Escolares da Juventude, que serão realizados em Londrina, no mês que vem. "Já estou ficando para trás", brinca Rocha, que aos 43 anos também continua competindo na categoria máster.
VELOCIDADE
O exemplo em casa também foi o que motivou o londrinense Pedro Saderi, de apenas 17 anos, a virar piloto. Seu pai Carlos é um daqueles viciados em velocidade e é até hoje o grande motivador da carreira do filho. "Andei de moto a vida toda, mas não queria que ele andasse, pois é muito perigoso. Comprei um kart, ele gostou e hoje a coisa ficou mais séria", conta o pai.
Hoje, os dois viajam o Brasil em provas de kart e da Stock Light, categoria na qual o filho debuta em 2014 como o piloto mais novo do grid. Carlos é uma espécie de técnico do filho e a ajuda vai além do "paitrocínio". "É muito bom, viajamos juntos para os campeonatos e passamos ainda mais tempo juntos", diz. "É uma relação mais que amiga", completa o filho, que ainda ajuda o pai nos negócios da família.
Mas não era bem assim no começo. A dupla Saderi junta na mesma pista era sinônimo de briga na certa. "Quando a gente treinava junto, um queria ganhar do outro, eu jogava ele no mato, na outra volta ele me jogava no mato, mas isso passou", jura o pai. Mas não é o que conta o filho. "Na última vez que corremos juntos, eu ganhei e ele ficou uma arara, no almoço nem olhou na minha cara. Já aconteceu também de estar os dois na frente, brigando para ganhar a corrida e bater", revelou Pedro, em meio às gargalhadas. "Mas isso é porque os dois são muito competitivos, acabei herdando isso dele também", justifica.
Disputas na pista à parte, Carlos credita ao esporte a formação do caráter do filho. Para ele, a dedicação ao automobilismo o fizeram passar longe dos males que atormentam a juventude. "A pior parte da adolescência ele passou ileso, pois estava comigo", comemora o pai, que já revela planos de aposentadoria das pistas e fala em aproveitar o máximo os últimos anos dividindo a paixão com o filho. "É uma fase, pois sei que eu tenho prazo de validade. Daqui a uns anos, eu vou parar e não vou poder mais estar com ele. Então enquanto tem essa possibilidade, aproveito para curtir bastante o momento", diz o empresário de 47 anos. "Ele é um exemplo para mim, com certeza. Se eu chegar na idade dele, acelerando muito como ele faz até hoje, já ficaria feliz", responde Pedro.
Certo mesmo é que a parceria jamais vai acabar. "Quero que ele consiga tudo o que eu sonhei um dia e não conquistei. E vou estar sempre do lado dele em tudo", garante o pai Carlos.


