Johannesburgo - Com um transporte aéreo deficiente, a CBF já planeja dividir o Brasil em quatro grandes sedes para a Copa do Mundo de 2014. Ontem, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, admitiu que a questão dos aeroportos é sua principal preocupação para a Copa. Já temendo não conseguir investimentos suficientes para lidar com o problema, a alternativa está sendo dividir as 32 seleções em blocos e evitar que se movam a cada jogo.
''O Brasil tem três grandes problemas: aeroporto, aeroporto e aeroporto'', disse Teixeira. ''Existe a ideia de dividir o país para evitar grandes necessidades de transportar torcedores'', explicou. O dirigente indicou que caberá à Infraero tomar providências para lidar com os aeroportos. A expectativa são 600 mil turistas estrangeiros desembarcando e mais de 3 milhões de brasileiros viajando para ver os jogos. Com um sistema de transporte insuficiente, o temor já é de que o volume de passageiros não consiga ser atendido.
O secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, confirmou o plano para o Brasil. ''O País tem dimensões continentais. Por isso, queremos dividir o Brasil em quatro para evitar que torcedores e jogadores tenham que viajar mais de uma ou duas horas de avião entre estádios'', explicou Valcke que, a partir de setembro, fará visitas frequentes ao Brasil.
As sedes do Nordeste formariam um grupo e seleções colocadas na região apenas jogariam nos estádios da área. O mesmo padrão seria repetido no Sudeste, Sul e num bloco reunindo Norte e Centro-Oeste. A última vez que a Copa foi realizada em um país de dimensões continentais - 1994 nos Estados Unidos - o problema de aeroportos não existia.
Na noite de quarta, problemas no aeroporto de Durban na África do Sul reforçaram a ideia de que aeroportos que funcionam são vitais para uma Copa. Cinco aviões com torcedores não conseguiram pousar na cidade e tiveram de retornar para Johannesburgo. Mais de 400 torcedores não chegaram ao estádio, apesar de ter ingressos já comprados para a semifinal entre Alemanha e Espanha.
Irvin Khoza, presidente do Comitê Organizador da Copa da África do Sul, explicou que o problema está relacionado com o fato de que o espaço aéreo de Durban teve de ser fechado para a chegada de chefes de estado. ''No Brasil, essa questão será responsabilidade das autoridades brasileiras'', alertou Joseph Blatter, presidente da Fifa. ''A Fifa não vai compensar quem perdeu o ingresso. Não temos nenhuma relação com isso'', disse Valcke.
Carlos Alberto Parreira, que fez parte do lançamento da campanha do Brasil 2014, não deixou de fazer seu alerta. ''Se o Brasil seguir os passos daqui da África do Sul, tenho certeza de que vamos fazer uma grande Copa. Precisamos ter agilidade nas decisões e que a burocracia não seja um empecilho'', avaliou o treinador. ''Caso contrário, teremos problemas'', afirmou.
Já Romário foi mais otimista. ''Até 2014, tenho certeza que teremos um Brasil bem diferente, bem melhor. Temos tempo suficiente para mudar muita coisa'', disse.

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